EUA reticentes quanto à visita de João Paulo II
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sexta-feira, 16 de janeiro de 1998
France Presse Washington 
Os Estados Unidos serão obrigados a desempenhar o papel de espectador reticente durante a histórica visita que o Papa João Paulo II fará a partir de quarta-feira, e até o dia 25, a Cuba. Apesar de nove presidentes se sucederem na Casa Branca desde a chegada de Fidel Castro ao poder, o diálogo entre Estados Unidos e a pequena ilha vizinha não avançou, especialmente sob a pressão e grupos anticastristas da comunidade cubana no exílio.
A política dos Estados Unidos para a ilha continua marcada pelo isolamento simbolizada no embargo unilateral decretado contra Cuba há mais de 35 anos e reforçado há dois anos pela Lei Helms-Burton, rechaçada pela comunidade internacional. Obrigado a se manter passivo diante da visita a Cuba do chefe da Igreja Católica, Washington se limitou até agora a fazer algumas declarações gerais. O Santo Padre levará uma mensagem de esperança ao povo cubano e uma mensagem de respeito pelos direitos humanos, declarou esta semana porta-voz do Departamento de Estado.
Entretanto, os Estados Unidos não poderão ignorar a dimensão do acontecimento que representa a visita do Papa ao único reduto comunista do continente americano, ainda mais por que repercutirá em grande escala na mídia americana. Os principais canais de televisão dos Estados Unidos e seus apresentadores nobres pretendem cobrir a visita papal e mais de mil jornalistas americanos devem ir à ilha.
O presidente americano Bill Clinton deixou escapar recentemente alguns comentários que contradizem a linha dura do embargo, sugerindo, por exemplo, que seria a favor de uma abertura para Fidel Castro se recebesse sinais alentadores sobre uma evolução democrática na ilha.


