EUA responsabilizam China por colisão
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sexta-feira, 13 de abril de 2001
Das Agências De Washington 
O piloto do caça chinês é o responsável pela colisão ocorrida no dia primeiro de abril com um avião de reconhecimento EP-3 americano. A declaração foi feita ontem pelo secretário americano da defesa, Donald Rumsfeld, um dia depois do retorno aos Estados Unidos da tripulação do EP-3. Segundo ele, o piloto chinês pretendia ameaçar os americanos.
Rumsfeld afirmou que o avião de espionagem norte-americano voava de forma reta e nivelada até que o piloto do caça chinês, manobrando agressivamente no céu sobre o Mar do Sul da China, atingiu a aeronave norte-americana por baixo. O secretário disse ainda que os pilotos chineses passaram bem perto dos aviões norte-americanos durante meses.
Contradizendo as informações chinesas sobre o incidente que causou um impasse de 11 dias, Rumsfeld disse que a tripulação enviou diversos sinais de socorro e pousou em perigo. De acordo com ele, os 24 tripulantes foram recebidos por soldados chineses armados.
Os pilotos chineses vinham manobrando agressivamente contra nossos pilotos havia meses, disse Rumsfeld, citando 44 casos recentes. O piloto do (caça chinês) F-8 claramente colocou em risco a vida de 24 norte-americanos. Em sua primeira declaração pública sobre o incidente, Rumsfeld exibiu cópias de fitas de vídeo e áudio dramáticas de aproximações anteriores entre aviões dos Estados Unidos e China.
Nós vamos bater. Nós vamos cair, ouviu-se um piloto norte-americano dizer. Um outro piloto norte-americano comentou também que um avião chinês estava desgovernado, não exatamente estável.
Rumsfeld sugeriu que a tripulação estava pronta para destruir a maior parte dos dados coletados a bordo do avião. De acordo com ele, as autoridades chinesas estavam armadas quando convidaram a tripulação a deixar a aeronave. Mostrando um pouco de diplomacia, Rumsfeld quase chegou ao ponto de dizer que a tripulação teria sido obrigada a sair da aeronave sob mira das armas. Não sei se as armas deles estavam fora dos coldres.
Segundo o secretário, o F-8 chinês passou a voar abaixo de uma das asas do avião norte-americano e, num dado momento, esbarrou em uma de suas quatro hélices. O caça danificou o motor do EP-3 e caiu no mar depois de partir-se em dois pedaços.
A tripulação do avião norte-americano conseguiu estabilizar a aeronave, que a esta altura já tinha perdido o cone do nariz e apresentava falhas em outro motor, atingido pelos cacos de metal do F-8.
Fui informado de que a tripulação fez entre 25 e 30 chamadas de socorro e enviou outros sinais de alerta, mas não poderia receber nenhuma resposta, uma vez que seu equipamento estava danificado, explicou Rumsfeld. Quando o piloto conseguiu fazer o pouso de emergência na Ilha de Hainan, os americanos foram recebidos por soldados armados, o que nos faz suspeitar que as pessoas no campo de pouso sabiam que o avião estava chegando.
De acordo com a versão norte-americana, o EP-3 fazia um vôo de rotina em águas internacionais nas proximidades do espaço aéreo chinês, quando foi interceptado e passou a ser escoltado por dois caças F-8 da China. O piloto dos EUA, Shane Osborn, rechaçou as acusações de que lançou deliberadamente seu avião contra o caça chinês, argumentando que o EP-3 voava no piloto automático.
Um alto funcionário americano, que pediu para não ser identificado, informou ontem que funcionários chineses e americanos vão se reunir na próxima quarta-feira em Pequim para analisar e pôr ponto final à crise desatada pela colisão entre os dois aviões. As conversações deverão girar em torno dos aspectos militares do incidente aéreo no Mar da China. O Departamento de Defesa vai dirigir as discussões com a ajuda de nossa embaixada em Pequim, esclareceu o funcionário.


