EUA recomendam estoque de antibiótico contra antraz
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quarta-feira, 10 de outubro de 2001
France Presse<br> De Washington e Miami 
Os Estados Unidos pediram a suas embaixadas e consulados no exterior que estoquem um antibiótico contra a bactéria do antraz, da qual já se conhecem dois casos na Flórida, anunciou ontem o departamento de Estado dos EUA. As sedes diplomáticas norte-americanas foram orientadas a procurar um antibiótico - a ciprofloxacina - e manter uma reserva equivalente a três dias de tratamento para seu pessoal, declarou o porta-voz Richard Boucher, acrescentando que se tratava de uma ''medida de precaução''.
Uma equipe de especialistas em produtos perigosos foi enviada ontem ao Departamento de Estado, depois que se descobriu um produto não determinado. Pelo menos três ambulâncias e quatro carros do corpo de bombeiros estavam no edifício do departamento, no centro de Washington. Segundo funcionários consultados, foi descoberto um ''pó branco'' de origem desconhecida em um escritório do sexto andar do edifício. O sistema de ventilação foi fechado depois do alarme.
A bactéria de antraz que matou um homem na Flórida, e que tem ''características muito peculiares'', pode ter sido cultivada artificialmente em um laboratório de Iowa (centro), indicaram ontem a cadeia CNN e o jornal The Miami Herald. As análises da bactéria não foram terminadas.
''É uma pista, mas as análises ainda não são conclusivas. Queremos ter certeza'', disse a fonte. Não se explica como a bactéria poderia ter sido trasladada de Iowa até a Flórida, mas se confirmada a hipótese ficaria descartada a possibilidade de acidente na contaminação das duas pessoas.
Robert Stevens, um editor-fotógrafo de 63 anos do tablóide local The Sun, morreu contaminado pelo antraz na sexta-feira passada, no condado de Palm Beach (Flórida). Ernesto Blanco, 73 anos, também foi contaminado pela bactéria, mas não desenvolveu a doença e se acha hospitalizado. Ambos trabalhavam em um prédio, o American Media Inc (AMI), perto de West Palm Beach.
Por outro lado, onze dos 19 supostos terroristas, que cometeram os atentados de 11 de setembro, eram assinantes do tablóide The Sun para o qual trabalhava Stevens no AMI, onde se acredita que contraiu a doença. ''Ainda não sabemos o que isso supõe. Talvez não signifique nada'', disse uma investigadora.
O AMI foi fechado e seus 300 trabalhadores e quase 500 pessoas a mais que o visitaram nas últimas semanas foram submetidos a exames. Até agora não foram detectados novos casos de contaminação.


