EUA recebem bem vitória de Pastrana
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segunda-feira, 22 de junho de 1998
Paulo Sotero Agência Estado 
A administração Clinton não escondeu sua satisfação diante da vitória do candidato da oposição, o conservador Andrés Pastrana, no segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, mas indicou que o futuro das relações entre os dois países dependerá das ações do novo líder.
Aplaudimos o povo colombiano (...) pela impressionante demonstração de apoio ao processo democrático e congratulamos calorosamente Andrés Pastrana, disse ontem em Washington o porta-voz do departamento de Estado, James Rubin. O sr. Pastrana e seu governo estão bem conscientes de que enfrentarão muitos desafios, (a começar) pela criaçao de um processo de paz viável e sustentável, o fim à violência que custou tantas vidas de inocentes e o fim da produção e do tráfico de narcóticos.
Washington e Bogotá chegaram perto da romper relações depois que as autoridades norte-americanas acusaram o atual presidente, o liberal Ernesto Samper, de ter recebido US$ 6 milhões dos cartéis de narcotráfico. Em 1996 os EUA revogaram o visto de entrada de Samper nos EUA e impuseram sanções econômicas contra a Colômbia, sob a alegação de que o governo não se empenhava na luta contra a produção e comercialização de cocaína. As sanções econômicas foram suspensas no ano passado, mas o diálogo oficial entre os dois países continuou comprometido pela presença de Samper no palácio presidencial de Bogotá.
Rubin disse ontem que a eleição do candidato da oposição abre uma chance muito boa para que os Estados Unidos e a Colômbia comecem uma nova página de seu relacionamento e trabalhem com mais sucesso na luta contra o tráfico de narcóticos e em outros assuntos. O porta-voz manifestou o desejo de que as ações do futuro presidente, que toma posse em agosto, levem a administração norte-americana a certificar a política anti-drogas de seu governo, em lugar de manter a situação atual, que é de descertificação com suspensão dos efeitos que a lei dos EUA prevê nesses casos.
Peter Vaky, que foi embaixador dos EUA na Colômbia e secretário de Estado- adjunto para a América Latina, no final dos anos 70, acha que a vitória de Pastrana cria uma oportunidade para um diálogo mais produtivo entre os dois países. Ciente da falta de apetite que existe hoje em Washington, especialmente no Congresso, para ações diplomáticas construtivas, Vaky alertou para o risco de o triunfo do líder da oposição a Samper gerar expectativas exageradas em Bogotá. Pastrana está falando num Plano Marshal para o programa de substituição dos campos de coca por outros cultivos e não sei como isso será recebido em Washington, afirmou ele.
Em qualquer cenário, uma figura-chave numa nova política dos EUA para a Colômbia será o coordenador da política anti-drogas da Casa Branca, Barry McCaffrey. No final do ano passado, McCaffrey, um ex-general de exército, comprou enorme briga política com o departamento de Estado e restabeleceu os contatos de alto nível com o governo Samper para preservar a influência norte-americana nas forças armadas colombianas. Algumas semanas antes, analistas do Pentágono haviam concluído que o exército colombiano será militarmente derrotado pela guerrilha dentro de cinco anos, a ser mantido o descrédito das instituições nacionais que Pastrana promete agora reconstruir.


