Istambul - Os dirigentes da Otan chegaram ontem a Istambul, na véspera de uma conferência de dois dias sob a um esquema de segurança reforçado, e num momento em que o Iraque é abalado por uma intensificação da violência às vésperas de 30 de junho, dia da transferência da soberania aosiraquianos.
A agenda dos dirigentes dos 26 países membros da Aliança Atlântica ficará centrada no reforço de sua principal missão no Afeganistão e na questão da formação das forças de segurança iraquianas, à qual pretendem oferecer sua assistência, de acordo com o projeto de declaração final cuja cópia foi obtida pela AFP.
O texto estabelece que a Otan incentiva seus membros a contribuir individualmente com a formação dessas forças, e informa que as modalidades práticas da decisão serão fornecidas pelos embaixadores da organização em Bruxelas.
A formulação propositalmente imprecisa dessa declaração permite aos dirigentes da Otan apresentarem um consenso mínimo sobre a questão iraquiana, tema sobre o qual eles permanecem divididos. O texto foi longamente trabalhado pelos diplomatas para ficar aceitável para os Estados Unidos e seus aliados no Iraque, e para a França e a Alemanha, que se recusam a enviar soldados ao terreno.
Disposto a reforçar seus vínculos com a Turquia e a consolidar a posição hegemônica dos Estados Unidos no Iraque, o presidente George W. Bush chegou ontem a Istambul vindo de Ancara, onde conversou com o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan.
Na ocasião, dezenas de milhares de pessoas se manifestaram pacificamente para protestar contra a visita do presidente americano e a reunião de cúpula da Otan.
Desde quinta-feira, a cidade está em alerta por causa das manifestações previstas e principalmente depois da explosão de uma bomba dentro de um ônibus, o que deixou, quatro mortos e 21 feridos.
Os 26.000 policiais e militares mobilizados para garantir a segurança multiplicavam os controles nesta cidade de 12 milhões de habitantes, onde mais de 60 pessoas foram mortas no ano passado em ataques cometidos por radicais islamitas ou curdos.
As discussões na Otan começaram no final da tarde de ontem, com uma reunião dos ministros da Defesa da Aliança, antes da abertura oficial da conferência, na manhã de hoje.
Os ministros evocaram as operações conduzidas atualmente pela Otan, principalmente no Afeganistão, onde a Aliança deve ampliar sua presença fora de Cabul, e enviar reforços à capital afegã na perspectiva das eleições de setembro.
''A idéia é posicionar temporariamente um contingente no momento das eleições'', informou um dirigente da Otan, que não quis ser identificado. Este contingente poderia incluir três mil homens.
No entanto, a questão iraquiana, que havia dividido profundamente os países membros da Otan no ano passado entre partidários e opositores à guerra liderada pelos Estados Unidos, permanece a principal preocupação.
O chanceler alemão Gerhard Schroeder já avisou que ''não haverá soldados alemães no Iraque''.

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