Nova York - Um dia depois de os EUA retaliarem Caracas, expulsando três diplomatas venezuelanos, o secretário de Estado, John Kerry, disse ontem estar disposto a tentar normalizar as relações entre os dois países. "Estamos preparados para mudanças nessas relações. As tensões entre os dois países já duraram demais", disse Kerry, em entrevista à emissora MSNBC.
Na terça-feira, o chanceler venezuelano, Elías Jaua, havia anunciado a indicação do atual assessor internacional de Nicolás Maduro, Maximilien Sánchez Arveláiz, para assumir o posto de embaixador em Washington.
As duas capitais estão sem embaixadores desde 2010, quando o então presidente Hugo Chávez se recusou a aceitar o nome indicado por Washington. Em retaliação, os EUA suspenderam o visto do então embaixador venezuelano Bernardo Herrera.
Kerry, no entanto, destacou que os EUA não vão aceitar ser "responsabilizados por coisas que nunca fizeram". Há dez dias, quando decidiu expulsar três diplomatas americanos do país, Maduro acusou o governo americano de tentar "desestabilizar a democracia venezuelana".
A escolha do governo venezuelano para o posto de embaixador, contudo, já levanta dúvidas sobre a intenção de Maduro em uma real reaproximação com os EUA.
Arveláiz, que serviu como embaixador no Brasil entre 2010 e 2013, sempre foi um importante articulador político de Hugo Chávez na América do Sul e representante de sua retórica de combate à influência americana na região.
Em setembro de 2012, em uma das poucas entrevistas concedidas no Brasil, o venezuelano culpou o governo de Barack Obama por "dois golpes de Estado: um em Honduras [2009] e outro no Paraguai [2012]".
Ainda ontem, cinco agentes do serviço de inteligência venezuelano foram presos por suposto envolvimento na morte de dois manifestantes no protesto do dia 12 de fevereiro, em Caracas, aumentando para 14 o número de oficiais detidos, segundo o Ministério Público.

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