Cairo - O Iraque reafirmou ontem seu desejo de cooperar com as Nações Unidas em desarmamento, e disse que seu convite para que o chefe da nova equipe de inspetores da ONU, Hans Blix, visite Bagdá ''é um tentativa de retomar o diálogo''.
Em declarações feitas ontem à emissora de rádio egípcia ''Sawt al Arab'', o embaixador do Iraque na ONU, Mohamed Al Dawri, afirmou que seu país ''está tentando retomar as negociações com a ONU sobre a volta dos inspetores internacionais''.
Ele também disse que Bagdá quer estabelecer ''relações normais com os Estados Unidos'', e afirmou que ''se Washington optar por atacar o Iraque não terá o apoio da opinião pública mundial''.
Os EUA minimizaram a importância do convite que o ministro iraquiano de Assuntos Exteriores, Nayi Sabri al-Hadizi, fez sexta-feira passada a Blix com o intuito de manter conversações ''de caráter técnico'' sobre sua missão.
Apesar do oferecimento de diálogo sobre desarmamento feito pelo Iraque à ONU, a prioridade dos Estados Unidos ainda é derrubar Saddam Hussein, afirmou ontem o subsecretário de Estado americano para o Controle de Armas e a Segurança Internacional, John Bolton.
Em declarações à Rádio 4 da BBC, Bolton afirmou que Washington não abrirá mão de sua política de ''mudança de regime'', independentemente de Sadam permitir ou não a readmissão dos inspetores de desarmamento das Nações Unidas em seu país.
Para Washington, a iniciativa do Iraque pode ser apenas uma manobra para ganhar tempo e evitar uma ação militar próxima contra o país. O fim do regime ditatorial de Saddam e a volta da inspeção de armas são assuntos distintos.
''Não vamos nos enganar. Enquanto reiteramos a necessidade da volta dos observadores de armas (que deixaram o Iraque em 1998 depois de serem acusados de espionagem), nossa política continua insistindo na mudança de regime em Bagdá. Essa política não será alterada'', disse o secretário americano, disse Bolton.
Ele afirmou que a queda do regime de Sadam é ''a única forma de eliminar a ameaça que este representa para nossos interesses e para os de nossos amigos e aliados na região, assim como para a paz e para a segurança em geral''.
A única maneira de retirar o líder iraquiano do poder não é a guerra, mas uma ''política de dissuasão'', acrescentou.
No entanto, Bolton reconheceu que essa estratégia de dissuasão pode não funcionar no caso do Iraque, porque Sadam não é ''uma pessoa racional''.
''Dadas as atividades nas quais ele (Saddam Hussein) está envolvido em relação a armas nucleares, químicas, biológicas e a mísseis balísticos, este homem representará uma ameaça enquanto continuar no poder'', declarou.

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