Bagdá - A coalizão no Iraque, dirigida pelos Estados Unidos, jurou ontem ''destruir'' o exército do Mehdi, milícia do chefe xiita radical Moqtada Sadr, com o qual se enfrenta há quatro dias em várias cidades do Iraque.
''Vamos atacar o exército do Mehdi para destruí-lo'', anunciou o general americano Mark Kimmitt, chefe adjunto das operações militares da coalizão, numa coletiva em Bagdá.
''Nossas operações de ofensiva serão precisas, serão poderosas e terão êxito'', acrescentou. O exército do Mehdi enfrenta desde domingo as forças da coalizão em combates que provocaram mais de 100 mortos do lado iraquiano e vinte do lado das forças da coalizão, assim como centenas de feridos.
''Quanto às zonas do centro e do sul (majoritariamente xiitas) do Iraque, vamos continuar combatendo o exército do Mehdi e vamos nos impor'', acrescentou o general Kimmitt.
''Sabemos cada vez mais sobre o Exército do Mehdi, como opera, onde opera e contra quem'', precisou. O general americano também acrescentou que a calma não voltará ao Iraque até que Moqtada Sadr se renda. ''Se Sadr quiser reduzir a violência e acalmar as coisas, pode fazê-lo. Pode se render na delegacia local e comparecer perante a justiça'', precisou. Embora as forças da coalizão devam igualmente combater os rebeldes sunitas, especialmente nas cidades de Fallujah e Ramadi, a oeste de Bagdá, o general afirmou que não estavam em duas frentes.
''Quanto a um combate em duas frentes, acho que é provavelmente uma apresentação deformada'', explicou. Na província sunita de Al-Anbar, a oeste de Bagdá, a coalizão ''trabalha para restabelecer a ordem e isso está ocorrendo muito bem até o momento'', assinalou o general americano.
ONU - O comitê de ulemás sunitas anunciou ontem a suspensão de todo contato com a ONU enquanto não houver condenado claramente o assédio e as operações militares contra Fallujah, a oeste de Bagdá, e em outras cidades iraquianas. ''Suspendemos todo contato e todo encontro com as Nações Unidas enquanto a organização internacional não houver condenado claramente as operações militares contra o povo iraquiano em numerosas cidades'', declarou o secretário-geral do comitê, Hareth al-Dari, em uma entrevista à imprensa.
Cheikh Dari pediu à ONU que interceda ante ''as forças de ocupação para levantar o cerco imposto a Fallujah e a outras cidades iraquianas e suspender as operações militares''.
O comitê de ulemás é uma das organizações representativas da comunidade sunita no Iraque. Um emissário especial da ONU, Lakhdar Brahimi, está desde domingo no Iraque para ajudar na transferência da soberania aos iraquianos.
Quarenta e seis iraquianos morreram e várias dezenas foram feridos desde a noite passada em combates violentos nesta cidade rebelde sunita entre a guerrilha e as tropas americanas. Os ulemás fizeram uma convocação de greve em todo o território iraquiano ''até o levantamento do cerco às cidades e o fim das operações militares''.

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