A batalha no Afeganistão se tornou mais intensa ontem com um primeiro ataque, desde o começo dos bombardeios há 11 dias, das forças dos Estados Unidos às posições talebans no front, o que permite prever uma iminente operação de tropas terrestres.
O secretário de Estado americano Colin Powell terminou uma delicada missão no Sul da Ásia destinada a garantir o apoio do Paquistão e da Índia, dois países em confronto, para a campanha militar dos Estados Unidos nas represálias aos atentados do dia 11 de setembro.
O esforço dos Estados Unidos para deixar de lado os conflitos como os da Caxemira e do Oriente Médio, preparando assim o terreno para sua campanha antiterrorista, sofreu uma dupla perda, ontem. A tensão aumentou com o assassinato em Jerusalém do ministro israelense do Turismo, Rehavam Zeevi, numa ação reivindicada pelo movimento radical da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP). O Paquistão, por sua vez, advertiu que havia ''movimentos'' que poderiam se revelar ''ameaçadores'' por parte das tropas indianas.
A nova etapa na campanha militar de Washington para limpar o Afeganistão das redes terroristas foi acompanhada de mais negociações sobre o futuro regime afegão depois da queda dos talebans.
O chefe supremo dos talebans, o mulá Mohamad Omar, pediu ontem a seus seguidores que sejam pacientes e previu a derrota dos EUA, segundo a agência Afghan Islamic Press (AIP), com sede no Paquistão.
A aviação norte-americana bombardeou pela primeira vez as posições dos talebans na linha de frente das forças da oposição da Aliança do Norte, a cerca de 50 km ao Norte de Cabul, segundo um porta-voz da oposição. Sempre segundo a oposição, os talebans teriam feito uma ''contra-ofensiva maior'' para defender a cidade de Mazar-e-Sharif, posição estratégica ao Norte do país, cuja queda iminente foi anunciada na terça-feira pelo Pentágono.
Cabul viveu sua décima noite consecutiva de bombardeios, que continuaram ontem pela manhã. Cerca de 15 violentas explosões sacudiram a capital, sobretudo nas proximidades de um antigo forte no Sudeste da cidade, ocupado pelas forças talebans.
Os aparelhos dos Estados Unidos também bombardearam a região de Kandahar (Sudeste do Afeganistão), baluarte dos talebans, onde normalmente mora o mulá Omar.
Estes bombardeios teriam causado a morte de 20 civis, entre os quais havia uma família de 12 pessoas que tentava sair da cidade, segundo os talebans.
Seis agências humanitárias pediram ontem uma pausa nos bombardeios para poder levar alimentos ao Afeganistão, antes que chegue o inverno.

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