Em sua maior mobilização militar desde os atentados sofridos no dia 11 de setembro, os Estados Unidos ordenaram ontem o deslocamento de 100 aviões de combate e uma frota com 10 navios e um submarino para bases no golfo Pérsico e no Mediterrâneo. ''Os Estados Unidos estão reposicionando parte de suas forças necessárias para preparar a campanha do presidente (George W. Bush) contra o terrorismo e os esforços para identificar, localizar e trazer a julgamento os terroristas e os que lhes dão abrigo'', disse Bryan Whithman, porta-voz do Pentágono. A operação foi batizada pelos militares de ''Justiça Infinita'', o que ainda deve ser chancelado por Bush.
Entre os aviões que começam a ser enviados a partir de hoje estão bombardeiros B-1 e caças F-15 e F-16, entre outros. A frota, liderada pelo porta-aviões USS Theodore Roosevelt, deixou ontem mesmo a base naval de Norfolk (Costa Leste) para o Mediterrâneo e a ''pontos mais a Leste''.
A movimentação reflete uma estratégia militar convencional, embora Bush tenha dito enfaticamente que a ''guerra'' travada pelos EUA contra o terrorismo seria ''diferente'', contra inimigos imunes a armas convencionais. Os EUA já mantêm posicionados mais de 200 aviões e outras duas frotas no golfo Pérsico e no oceano Índico.
A assessora para segurança nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, disse que os pedidos de moderação feitos por países como China e Alemanha não farão o país desviar de seu objetivo principal. ''O presidente já disse que não perderá seu foco. Algo efetivo precisa ser feito de forma imediata e no longo prazo.''
Segundo Rice, os EUA não esperaram uma coalizão militar semelhante à da Guerra do Golfo (1991), quando a frente anti-Iraque enviou centenas de milhares de soldados à região ao longo de vários meses. ''Dessa vez, os países vão participar de formas distintas, sufocando a arrecadação de fundos dos terroristas ou colaborando de formas não visíveis, mas vitais.'' Não se sabe quais seriam os alvos de uma retaliação militar. Os EUA já afirmaram ter indícios da participação do terrorista saudita Osama bin Laden no sequestro dos quatro aviões usados para destruir as torres do World Trade Center e parte do Pentágono, que mataram mais de 5.000 pessoas, na semana passada.
Os EUA acusam também o Taleban, movimento extremista islâmico que controla quase todo o Afeganistão, de dar guarida ao saudita. Mas há ainda a suspeita de que o Iraque possa ser alvo, após relatos de que um dos terroristas teria se encontrado no começo do ano, em Paris, com um agente de inteligência do ditador Saddam Hussein.
O secretário de Justiça dos EUA, John Ashcroft, disse hoje que os terroristas responsáveis pelos ataques receberam apoio de ''governos estrangeiros''. ''Está claro que as redes que conduzem esse tipo de ação são abrigadas, apoiadas, sustentadas e protegidas por uma variedade de governos estrangeiros. É hora desses governos entenderem, com uma clareza cristalina, que os EUA não irão tolerar esse apoio.'' Bush vai falar hoje no Congresso sobre as providências que estão sendo tomadas. ''Devo ao país uma explicação. Espero ter a oportunidade de pedir paciência à população e explicar quais são as pessoas capazes de fazer isso contra o povo americano.''
O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, respondeu ontem à tentativa do Taleban de abrir negociações com os EUA sobre a extradição de Osama bin Laden afirmando que ''o momento é de ação e não de negociação''.

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