EUA podem retomar relações com China
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terça-feira, 19 de setembro de 2000
Associated Press De Washington 
O Senado dos Estados Unidos aprovou ontem por esmagadora maioria, 83 votos a 15, estatuto que estabelece um regime de relações comerciais permanentes normais com a China, removendo o maior obstáculo para a entrada dos chineses na Organização Mundial do Comércio (OMC).
A aprovação da medida representa um triunfo para a política externa do presidente americano, Bill Clinton, e, sobretudo, para as grandes corporações do país que estão ansiosas para ter um maior acesso ao enorme mercado chinês.
O intercâmbio comercial não vai conseguir por si só uma abertura democrática na China, mas este é um passo na direção certa, afirmou Clinton na Casa Branca, logo após a aprovação da medida.
China e Estados Unidos firmaram em novembro do ano passado um acordo comercial que permite a abertura do mercado do país asiático a produtos americanos, principalmente, às empresas agrícolas e de telecomunicações. Em troca, os EUA concederão benefícios de relações comerciais normais e permanentes à China e apoiarão sua entrada na OMC. A Câmara de Representantes ratificou essa medida em maio, depois de um duro debate sobre a situação dos direitos humanos em Pequim e o temor dos sindicatos de que o acordo provocasse a perda de postos de trabalho nos EUA.
Vocês verão uma rajada de atividades comerciais internacionais quando a lei estiver pronta para entrar em vigor, disse o presidente da Eletronic Industries Alliance, David McCurdy grupo lobista americano de companhias de computadores e telecomunicações, incluindo a Hewlett-Packaard, Ford e Agilent Tecnologies.
A aprovação da lei liberta a China das ataduras de uma outra lei, de 1974, relíquia da guerra fria. Esta tinha uma emenda, denominada Jackson-Vanik, que permitia ao presidente conceder de maneira condicional uma cláusula de nação mais favorecida depois rebatizada de relações comerciais normais (Normal Trade Relations, NTR) a países comunistas ou que não tinham uma economia de mercado, sob a condição de que permitissem a livre imigração.
Quando a China normalizou suas relações com os EUA, em 1979, o então presidente Jimmy Carter criou um estatuto especial, exigindo que a situação dos direitos humanos do país fosse objeto de debate anual no Congresso americano, uma vez que não se podia determinar se Pequim respeitava completamente as obrigações da emenda Jackson-Vanik em matéria de livre imigração. Até hoje, o presidente informava o Congresso sobre sua intenção de renovar a cláusula antes do dia 3 de junho de cada ano.
O Congresso americano aprovou anualmente a cláusula em benefício da China durante 20 anos, até mesmo após o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989.
A cláusula NRT é revista de maneira permanente por Washington para 160 países, incluindo Irã, Iraque e Líbia. Somente Afeganistão, Cuba, Laos, Coréia do Norte, Iugoslávia e Vietnã não se beneficiam dela. Além disso, Irã, Iraque e Afeganistão, considerados por Washington como países que apóiam o terrorismo, são objetos de sanções econômicas unilaterais americanas. Cuba está sujeita a um embargo econômico dos EUA desde os anos 60.


