EUA podem enviar US$ 1,2 bi a Israel
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segunda-feira, 14 de dezembro de 1998
France Presse 
O presidente dos EUA, Bill Clinton anunciou ontem que pedirá ao Congresso uma autorização para enviar uma ajuda extra de US$ 1,2 bilhão para Israel, mesmo sem ter a garantia formal de Israel de que os acordos de Wye serão seguidos estritamente e com o premier israelense Benjamin Netanyahu acusando os palestinos de violarem o tratado. Segundo Clinton, o dinheiro é para suprir as necessidades de segurança de Israel, com a aplicação do acordo de Wye Plantation, que estipula a retirada gradual das forças israelenses na Cisjordânia ocupada.
O presidente americano fez o anúncio durante uma coletiva de imprensa, logo depois do encontro com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em Jerusalém. Israel já havia pedido esta ajuda financeira, que se soma aos US$ 2,9 bilhões anuais destinados pelo governo dos EUA, para financiar a retirada de tropas da Cisjordânia, o desmonte das bases militares na região e a construção de novas estradas para os colonos judeus em áreas que permanecerão ocupadas.
Clinton anunciou esta ajuda, apesar da ameaça de Israel, de não efetuar sua próxima retirada da Cisjordânia, prevista pelo acordo de Wye Plantation, acusando os palestinos de não respeitar as cláusulas do acordo, assinado no último dia 23 de outubro. Netanyahu disse aos jornalistas que tudo será bem simples: caso eles cumpram com suas obrigações, nós cumpriremos com as nossas, insistiu.
Clinton, que realiza uma visita de três dias a Israel, e vai pela primeira vez aos territórios palestinos, nunca antes visitados por um presidente americano, reconheceu os problemas de segurança que preocupam Israel. A promessa de Wye não pode ser mesmo cumprida com a violência ou por declarações ou atos que não estejam de acordo com o processo de paz, garantiu.
Por sua vez, Netanyahu reiterou seus ataques à Autoridade Palestina, a quem acusa de encorajar a violência, de fazer o povo acreditar que Israel aceitou em Wye a libertação de 750 presos políticos e de querer declarar unilateralmente um Estado palestino.
O primeiro-ministro também exigiu que o Conselho Nacional Palestino confirme numa votação segunda-feira, na presença de Clinton, a anulação dos artigos anti-israelenses da Carta Nacional Palestina. Esperamos uma anulação clara destes pontos na Carta Palestina, com a presença do presidente Clinton em Gaza, declarou o premier de Israel.
Os incidentes na Cisjordania persistiram neste primeiro dia da visita do presidente dos EUA, causando cinco feridos palestinos e dois israelenses, entre eles uma estudante de 17 anos esfaqueada por outra adolescente palestina numa colônia judaica. As manifestações de apoio aos presos palestinos desembocam em enfrentamentos diários com o exército israelense nos territórios. O balanço de vítimas até agora chega a quatro mortos e mais de 100 feridos entre os palestinos.


