Washington - Os Estados Unidos afirmaram ontem estar dispostos a aceitar qualquer governo no Iraque, até mesmo um governo teocrático, enquanto no terreno as forças da coalizão aumentavam a pressão sobre os xiitas radicais, causando várias vítimas civis.
''Teremos de aceitar o que o povo iraquiano escolher'', declarou ontem o secretário de Estado Colin Powell, em entrevista concedida à rede de televisão NBC, respondendo a uma pergunta sobre a reação americana em caso de instauração no Iraque de um regime teocrático, como existe no Irã.
Essas declarações demonstram uma reviravolta da política americana, que até agora sempre rejeitou a idéia de que os religiosos xiitas iraquianos seguissem os passos de seus vizinhos iranianos.
No entanto, Powell avisou que para conseguir a aceitação da comunidade internacional, os iraquianos ''devem respeitar os direitos humanos, e não podem permitir a chegada de um governo puramente fundamentalista''.
Desmentindo os rumores sobre uma retirada das tropas americanas antes do previsto em caso de solicitação neste sentido do futuro governo iraquiano, a conselheira para a Segurança Nacional, Condoleezza Rice, afirmou que os soldados ficarão ''até que o trabalho esteja terminado, e até que os iraquianos possam garantir sua própria segurança''.
Porém, Powell ressaltou que ainda será preciso ''um tempo considerável'' antes de as condições necessárias a tal retirada serem reunidas.
No Iraque, as forças da coalizão aumentaram a pressão sobre os milicianos xiitas em Kerbala (110 km ao sul de Bagdá), tomando posições a apenas alguns metros dos mausoléus dos imãs Hussein e Abbas.
Nas cidades xiitas, os confrontos deixaram muitas vítimas civis, principalmente em Nassiriyah, onde um obus explodiu num mercado, ferindo 28 pessoas.
No extremo sul do Iraque, três civis iraquianos morreram durante um ataque frustrado contra uma base britânica em Basra, segundo um porta-voz militar britânico.
No sul de Bagdá, três iraquianos que trabalhavam para a coalizão morreram e outros dois ficaram feridos numa emboscada.
Uma organização até então desconhecida, Jaich al-Taifa al-Mansura, reivindicou ontem o sequestro de dois russos no Iraque, anunciou a rede Al-Jazeera do Qatar, que divulgou imagens dos dois homens.

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