EUA pedem reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre Venezuela
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Ricardo Della Coletta e Danielle Brant<br> Folhapress 

Brasília e Nova York - O governo americano solicitou nesta quinta-feira (24) que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) seja informado neste sábado (26) sobre a situação da Venezuela, segundo informações do embaixador da África do Sul às Nações Unidas, Jerry Matjila. Em pedido obtido pela agência Reuters, os EUA solicitam uma reunião dos 15 membros do Conselho de Segurança "devido à situação incrivelmente volátil na Venezuela e à crescente crise humanitária no país que poderia levar a um conflito e instabilidade adicionais." Mais cedo, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, pediu que os membros da OEA (Organização dos Estados Americanos) apoiem Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional que se proclamou líder do país, contra o regime do ditador Nicolás Maduro, qualificado de "ilegítimo" pelo representante do governo dos EUA.
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"Nós pedimos à OEA e a seus estados-membros para agir nos princípios democráticos e decentes básicos e nos fatos incontroversos" que ocorreram, afirmou Pompeo. "Esse regime é moralmente falido, economicamente incompetente e profundamente corrupto", acrescentou, em referência ao governo de Maduro. "E é não democrático em sua essência."
Nesta quarta (23), o governo americano reconheceu Guaidó como presidente interino da Venezuela pouco depois de o deputado se proclamar presidente durante manifestação que reuniu milhares de pessoas em Caracas contra Maduro. O Brasil também emitiu uma nota reconhecendo o presidente da Assembleia Nacional venezuelana como líder interino do país.
Um dia depois de jurar o cargo de presidente interino, Juan Guaidó colocou como uma de suas prioridades a nomeação de embaixadores nos principais países que o reconheceram como chefe do Executivo na Venezuela. A posição mais importante que deve ser preenchida em breve, de acordo com aliados de Guaidó, é a de um representante da administração interina em Washington, nos Estados Unidos. O Brasil também é considerado um posto estratégico, uma vez que o presidente Jair Bolsonaro se integrou prontamente à coalizão internacional que pressiona pela queda do ditador Nicolás Maduro.
O grupo político de Guaidó quer ainda designar com rapidez embaixadores na Colômbia e na Guiana, países que fazem fronteira com a Venezuela. "Para nós é prioritário ter embaixadores nos países vizinhos. Também queremos a designação de um embaixador dos Estados Unidos", disse à reportagem o deputado Armando Armas, um dos fundadores do Voluntad Popular, partido de Guaidó.
"A Venezuela tem cidadãos ilustres, capacidades e com valores democráticos que podem assumir os mais altos cargos de representação diplomática no exterior", acrescentou. Armando Armas não precisou sobre quando esses representantes poderiam ser indicados, mas disse que o tema é "prioritário".
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A indicação de diplomatas que representem o governo de transição é uma das partes mais importantes da estratégia coordenada por opositores do chavismo. Além de ser mais um gesto contra Maduro, o objetivo é fortalecer os canais diretos de comunicação com as autoridades dos países que reconheceram a legitimidade do ato protagonizado por Guaidó na quarta-feira.
Guaidó, inclusive, já colocou o plano em ação. Na terça-feira (22), a Assembleia Nacional, órgão legislativo de maioria opositora que funciona em desacato ao chavismo, indicou Gustavo Tarre Briceño para ser o representante especial do governo de transição junto à OEA (Organização dos Estados Americanos). A indicação foi saudada pelo secretário-geral da entidade, Luis Almagro. Tarre Briceño afirma que uma das metas do governo de transição na Venezuela é atuar junto aos organismos internacionais para que o país receba ajuda humanitária.


