São Paulo - Após o Irã tomar a mais ousada atitude em relação a seu programa nuclear, anunciando êxito no enriquecimento de urânio, os Estados Unidos exigiram ontem que o Conselho de Segurança (CS) da ONU tome ''fortes medidas contra Teerã''.
Na terça-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou publicamente o ''sucesso'' do ciclo de produção de combustível nuclear, primeiro passo ao enriquecimento de urânio que gera combustível para usinas nucleares (energia) e também pode ser usado para a criação de bombas atômicas.
Em resposta, União Européia e Rússia condenaram o anúncio iraniano. ''Isso é lamentável'', afirmou Emma Udwin, porta-voz da Comissão Européia. ''Procuramos uma solução diplomática, mas tais declarações não ajudam''. O ministro das relações exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que o uso da força não seria a solução para a questão do Irã, mas não reiterou a oposição à adoção de sanções.
Ontem, após o Irã recusar um novo pedido da Rússia para suspender todas as atividades de enriquecimento de urânio alegando que tal processo conquistado pela primeira vez pelo governo iraniano representa pequeno grau e tem fins pacíficos, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que sanções do CS da ONU ''certamente são uma opção para contra-atacar a ameaça iraniana''.
Em seguida, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu que o CS da ONU adote ''medidas fortes'' para responder à atitude do Irã. Rice, no entanto, não chegou a sugerir uma reunião de emergência dos 15 membros do conselho. A fala de Rice foi realçada pelo porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, que disse que a pressão sobre o Irã vai aumentar.
O Reino Unido também se manifestou a respeito do assunto. ''O anúncio do Irã prejudica ainda mais a confiança da comunidade internacional no governo iraniano'', disse o ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, acrescentando que a declaração do Irã vai contra o pedido do CS e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que exigem a suspensão de todas as atividades de enriquecimento de urânio por parte do Irã.
As declarações agravam as tensões nas relações do Irã com os Estados Unidos e com os países ocidentais, que se dizem convencidos que o país pretende construir armas nucleares. O Irã nega.

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