EUA negam intervenção na Colômbia
France Presse
e Associated Press
De Bogotá
Os Estados Unidos continuarão apoiando a luta contra as drogas na Colômbia com treinamento, equipamento e dinheiro, mas sem envolvimento em ações diretas, disse ontem o czar antidrogas americano Barry McCaffrey, depois de se reunir com dirigentes militares e policiais em Bogotá
O papel dos EUA e dos aliados regionais da Colômbia é simplesmente oferecer treinamento, equipamento, dinheiro nos casos em que isto for necessário, destacou McCaffrey ao minimizar declarações da guerrilha de esquerda que acusa Washington de aventurar-se no conflito interno colombiano.
McCaffrey visitou as instalações do Centro de Inteligência Policial, em Bogotá, de onde são coordenadas as atividades contra o narcotráfico e o intercâmbio entre unidades militares americanas e colombianas nas selvas do sudeste do país.
Na sexta-feira passada, um avião militar americano com cinco americanos e dois colombianos a bordo se acidentou no departamento de Putumayo, perto da fronteira com o Equador, enquanto realizava este tipo de operações contra o narcotráfico.
Segundo o jornal El Espectador, simultaneamente com as atividades de detecção das plantações de folha de coca (base para a cocaína), a aeronave também realizava a interceptação de comunicações de líderes da principal guerrilha do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC, marxistas).
As FARC, que negaram qualquer responsabilidade no acidente com a aeronave, destacaram na segunda-feira, em mensagem na internet, que os cinco americanos que morreram no acidente são as primeiras vítimas da intervenção direta dos Estados Unidos na Colômbia.
McCaffrey também acusou na véspera as FARC de se beneficiarem com o dinheiro do narcotráfico, como também o fazem outros grupos armados colombianos.
O alto funcionário americano viajou por volta do meio-dia para a base aérea de Tolemaida, a 115 km ao sul de Bogotá, onde supervisionou o trabalho da esquadrilha aérea que realiza atividades antidrogas.
Dali seguiria para a base de Tres Esquinas, onde o Exército colombiano constrói, com o apoio dos Estados Unidos, seu primeiro batalhão especializado na luta contra o narcotráfico, numa zona de ampla influência dos rebeldes das FARC.
O Brasil não está de acordo com um intervenção armada estrangeira na Colômbia para desarticular os movimentos guerrilheiros nesse país, manifestou ontem em La Paz o chanceler Luiz Felipe Lampreia.
O ministro brasileiro, que concluiu ontem uma visita de dois dias a Bolívia, afirmou que não seria aceitável, nem muito menos desejável, que em nossa região ocorram intervenções armadas para a solução de diferenças de qualquer tipo.
Lampreia descartou assim a possibilidade de que as forças armadas do Brasil e da Argentina apóiem uma intervenção armada dos Estados Unidos na Colômbia para derrotar a guerrilha e o narcotráfico.
O Brasil tem com os Estados Unidos a melhor das relações, mas considera que cada nação tem sua soberania e sua liberdade para solucionar seus problemas, disse o chanceler.Ajuda se limitará a fornecimento de dinheiro e treinamento para o combate à guerrilha esquerdista e ao narcotráfico
France PresseCzarBarry McCffrey passa em revista tropas especiais colombianas treinadas na base aérea de Tolemaida





