Cláudia Dianni
Agência Estado
De Brasília
O general Barry McCaffrey, chefe da Agência de Política Nacional Antidrogas dos Estados Unidos, órgão ligado à Casa Branca, garantiu nesta segunda-feira em Brasília que os Estados Unidos ‘‘não vão interferir diretamente na luta da Colômbia para controlar a guerrilha’’.
Segundo ele, os Estados Unidos têm de estar preparados para fornecer apoio, recursos e treinamento, mas a estratégia será colombiana.
Segundo McCaffrey, o presidente norte-americano Bill Clinton determinou que ele se aproxime dos coordenadores de política antidrogas na região para que haja uma coordenação no combate às drogas até o ano que vem.
O general norte-americano admitiu que o apoio recebido pelos brasileiros do DEA (Drug Enfforcement Agency) é insuficiente. ‘‘As áreas em que atuamos são enormes e muito complexas e nosso apoio para as autoridades brasileiras é muito modesto, só temos oito agentes do DEA.’’
Mas o general disse que não há perspectivas de aumento no números de agentes no Brasil ou da verba destinada ao combate ao narcotráfico.
A ajuda norte-americana ao Brasil para o combate ao narcotráfico soma cerca de US$ 4 milhões, desde que foi assinado o acordo entre os dois países, em 1995, que será renovado em setembro. ‘‘A cooperação entre Brasil e Estados Unidos nessa área dá-se especialmente na troca de informações’’, disse McCafrrey.
‘‘O Brasil não é um grande produtor de cocaína, mas uma importante rota para a droga e, mesmo assim, a maior parte da droga que passa pelo Brasil vai para a Europa e não para os Estados Unidos.’’
McCarffrey esteve ontem em Brasília para discutir o controle do narcotráfico na região com autoridades brasileiras. O general ouviu informações sobre as operações brasileiras de combate ao narcotráfico, sobretudo na Amazônia, dadas pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, pelo diretor da polícia federal, Agílio Monteiro Filho, e pelo secretário nacional antidrogas, Walter Maierovich.
Além disso, ele reuniu-se com o general Alberto Cardoso, ministro chefe da Casa Militar, e foi recebido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
O ministro da Justiça ressaltou diversas vezes à imprensa, após a reunião com o general norte-americano, esperar incremento no apoio financeiro e tecnológico recebido dos Estados Unidos para o combate ao narcotráfico e vigilância das fronteiras ‘‘desde que sejam respeitadas as circunstâncias e soberania brasileira’’.
Para ele os Estados Unidos podem ajudar em termos de investimentos, equipamentos e, principalmente, informações. ‘‘Os Estados Unidos podem oferecer ajuda desde que haja transparência na troca de informações entre as autoridades e seja preservada a nossa absoluta autonomia.’’
O diretor da Polícia Federal mostrou a McCaffrey o projeto de delegacia flutuante que vai atuar na divisa entre Brasil e Peru e, segundo Agílio, será inaugurada nos próximos dias. ‘‘Todas as ações estão sendo incrementadas no sentido de fechar a Amazônia em pontos estratégicos’’, afirmou. De acordo de Agílio, o número de agentes da Polícia Federal na região, sobretudo em Candiru, Anzol e Vilena, em Roraima, será reforçado de 15 para 120.
Preocupados com uma possível expansão do narcotráfico e dos guerrilheiros na Colômbia, os Estados Unidos devem ampliar nos próximos dias sua colaboração financeira e atividades militares na região, para enfrentar o narcotráfico, inclusive na América Central.
A aproximação militar com o Brasil só deverá ser discutida no dia nove, quando o chefe do Comando Sul das Forças Americanas, general Charles Wilhelm, visitará o ministro da Defesa brasileiro Élcio Alvares.
A administração Clinton está preparando um suplemento na ajuda econômica e militar que fornece à Colômbia, que atualmente é de US$ 106 milhões, segundo matéria publicada ontem pelo jornal ‘‘Washington Post’’.
Ainda segundo o diário norte-americano, oficiais dos Estados Unidos visitaram a Colômbia na semana passada e ameaçaram diminuir a ajuda caso o presidente Andés Pastrana faça mais concessões aos guerrilheiros.
McCaffrey não corfirmou, porém, que o presidente colombiano tenha recebido um prazo. Ao tomar posse, Pastrana destinou uma área equivalente ao Rio de Janeiro ao guerrilheiros, a título de concessão para iniciar as discussões com a guerrilha.Chefe da Agência de Política Antidrogas dos EUA discute formas de cooperação com o governo brasileiro no combate ao narcotráfico
Ed Ferreira/AELuta antidrogaO presidente Fernando Henrique Cardoso (e) recebeu Barry McCaffrey no gabinete presidencial no Paláácio do Planalto ontem, no início da noite. O chamado ‘‘czar antidrogas’’ nos EUA disse que a cooperação com o Brasil deve acontecer especialmente na área de informações

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