São Paulo - O jornal israelense ‘‘Haaretz’’ revelou ontem o paradeiro dos 11 supostos terroristas mantidos prisioneiros pela CIA (agência de Inteligência dos EUA) em local secreto. Ontem a organização humanitária Human Rights Watch (HRW) divulgou uma lista de 11 suspeitos de pertencer à rede terrorista Al-Qaeda que estariam em poder da CIA, mantidos presos em sigilo no exterior. Muitos deles teriam sido torturados.
  De acordo com o ‘‘Haaretz’’, que cita fontes de inteligência internacional, os 11 suspeitos estão detido em um local secreto na Jordânia, onde podem ser interrogados com métodos proibidos nos EUA, como o uso de tortura. Desde o fim da ação militar dos EUA contra o Afeganistão, há três anos, informações davam conta que os 11 prisioneiros estariam fora dos Estados Unidos, mas o local para onde teriam sido levados jamais foi revelado.
  Segundo o ‘‘Haaretz’’, o local onde os 11 estão detidos é tão secreto que o presidente George W. Bush teria pedido à chefia da CIA que não lhe revelasse tal informação. De acordo com o jornal israelense, não está claro para que parte da Jordânia os suspeitos foram levados, mas acredita-se que eles estejam sob custódia da inteligência jordaniana ou em uma base secreta.
  Segundo o ‘‘Haaretz’’, a prisão desses suspeitos fora do território americano permite aos Estados Unidos usarem de métodos de interrogatório proibidos por suas leis, e fazê-lo (o interrogatório) em um país cuja relação com os EUA é tão próxima evita que ‘‘informações assim vazem’’.
  O jornal diz ainda que, de acordo com a HRW, a CIA recebeu ‘‘permissão especial’’ para executar ‘‘outras leis’’ referentes a métodos de interrogatório, e que os detidos estariam expostos a pressões físicas e psicológicas, como simulações de afogamentos, música ruidosa e privação de sono – tais métodos tornaram-se palco do escândalo da prisão de Abu Ghraib, no Iraque, quando a divulgação de centenas de fotos tiradas dentro do local mostravam militares intimidando, humilhando sexualmente, espancando e maltratando prisioneiros.
  O documento, elaborado pela HRW, diz que os 11 suspeitos foram detidos sem direito a notificar seus familiares, sem acesso ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), e, em alguns casos, sem conhecimento de onde estão presos. Autoridades de Washington confirmaram a prisão de seis suspeitos. Entre os detentos identificados no informe está Khalid Shaikh Mohammed, suspeito de ser o cérebro dos ataques do 11 de Setembro, e Abu Zubaydah, suposto alto dirigente da Al-Qaeda detido em local desconhecido.
  Outro que figura entre os prisioneiros é Abd al Rahim al Nashiri, suposto líder das operações da Al-Qaeda no golfo Pérsico, acusado de orquestrar o ataque do USS Cole no Iêmen em 2000 e participar dos ataques às embaixadas dos EUA na África. O documento diz que alguns dos 11 prisioneiros enfrentam tortura.

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