EUA libertam 126 prisioneiros no Iraque
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domingo, 01 de agosto de 2004
France Presse 
Bagdá - O exército americano pôs em liberdade ontem 126 prisioneiros iraquianos, numa decisão tomada como parte de uma política de libertar ou acusar oficialmente, perante à Justiça, as cerca de 5.000 pessoas que vêm sendo mantidas presas.
Um grupo de 44 presos procedentes de várias prisões do país chegou à base da guarda nacional em Amiriya, oeste de Bagdá. Os demais foram libertados em outras localidades.
Viva Fallujah!, gritou um deles, Ahmed Kurdi, de 21 anos, referindo-se à cidade rebelde sunita.
Kurdi explicou que permaneceu 45 dias confinado na prisão de Abu Ghraib, a 30 quilômetros de Bagdá, junto com seu irmão. Os dois foram detidos por soldados americanos em sua casa, em Amiriya. Outros dois irmãos de Kurdi continuam presos, um deles já está há quase nove meses em Camp Bucca, no sul do país.
Ahmed Kurdi assegurou que não sabe por que foi preso. Mahmud Dia, de 17 anos, também alegou que não fez nada para ser preso. Ele foi capturado em Nassiriya, a 375km ao sul de Bagdá, e passou 15 meses em Abu Ghraib. Não tenho nada a ver com os insurgentes e sequer tenho armas. Fui preso na rua sem mais nem menos, contou ele.
Outro jovem da mesma idade, Alí Mohamed Alwan, explicou que passou 14 meses em Abu Ghraib por ter se desentendido com um intérprete kuwaitiano, empregado do exército americano, que insultou sua mãe em um restaurante de Bagdá.
Tenho uma costela quebrada. Eu apanhava cada vez que me interrogavam. Pensei que ia morrer umas cem vezes, disse ele.
Desde o escândalo de Abu Ghraib, em que foram revelados fotos e vídeos de soldados americanos torturando presos iraquianos, os Estados Unidos vêm libertando centenas de presos e tentando melhorar as condições de vida nas prisões.


