EUA lançam maior ataque ao Iraque desde 2003
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quinta-feira, 16 de março de 2006
Das agências 
São Paulo - Os Estados Unidos deram início ontem à maior operação militar contra a insurgência no Iraque desde a invasão do país, em março de 2003. A Operação Enxame, que visa minar grupos resistentes posicionados ao norte de Bagdá, está prevista para durar vários dias e envolve cerca de 1.500 soldados iraquianos e da coalizão liderada pelos EUA, além de 200 veículos táticos de apoio e mais de 50 aviões e helicópteros.
O principal objetivo da operação é a Província de Salahuddin, cuja cidade-chave é Samarra, localizada a 95 km ao norte de Bagdá. Os objetivos são acabar com a influência dos rebeldes vinculados a Zarqawi na região e desmantelar os esconderijos, tanto de armas como de explosivos. Os militares descobriram um determinado número de esconderijos de armas.
No último dia 22, um ataque a um santuário xiita em Samarra desencadeou uma onda de violência entre xiitas e sunitas que deixou um saldo oficial de cerca de 700 mortos. Números não-oficiais elevam as baixas a mais de 1.300.
Desde então, a violência sectária tem posto em dúvida a questão da segurança no país, que ainda é controlada por forças dos EUA e países da coalizão. O medo de uma guerra civil na região fez com que o presidente George W. Bush telefonasse a várias lideranças políticas e religiosas no Iraque para pedir que eles se mantivessem unidos e impedissem um descontrole da situação.
A Província de Salahuddin é uma das principais regiões do chamado Triângulo Sunita, onde insurgentes mantêm resistência ativa contra a coalizão liderada pelos EUA desde a invasão do país. O ex-ditador Saddam Hussein também foi capturado nessa mesma região, em dezembro de 2003, perto de sua cidade natal, Tikrit.
No final do primeiro dia da operação iniciada ontem contra a insurgência iraquiana, militares dos EUA disseram ter capturado uma grande quantidade de armas de inimigos, incluindo bombas de artilharia, explosivos, entre outros materiais.
Ontem, jornais americanos anteciparam o novo documento de segurança do governo americano, conhecido como Doutrina Bush (que prevê ações militares preventivas com a justificativa de proteção), em que fica clara a intenção dos EUA de manter sua política de ataque a outros países.
Desde o início da guerra do Iraque, o governo Bush foi golpeado com várias pesquisas de opinião pública a respeito da Guerra do Iraque e da forma como ele e seu governo conduzem a operação naquele país.
Outro revés são os resultados de pesquisa de popularidade do presidente americano, que atingiu o nível mais baixo de seu mandato e caiu para 36%, segundo dados do Instituto Gallup divulgados ontem.
A pesquisa mostrou ainda que 60% dos entrevistados desaprovam a atuação de Bush à frente do país. Em novembro passado, o índice de popularidade do líder americano caiu para 37% em razão da deterioração da situação no Iraque e da apresentação de acusações contra um alto funcionário da Casa Branca por perjúrio.
A operação coincidiu com a celebração, em Bagdá, da sessão inaugural protocolar do novo Parlamento, mais de três meses depois das legislativas de dezembro de 2005.


