EUA lançam campanha de combate à corrupção
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 1999
Monica Yanakiew Agência Estado 
O vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, anunciou ontem uma nova ofensiva em política externa americana: o combate à corrupção, praticada tanto por funcionários públicos como pelo setor privado no mundo inteiro. A iniciativa, defendida há anos do setor comercial dos EUA, adquiriu agora novo ímpeto com a crise financeira internacional. E, do ponto de vista político, ajuda a projetar a imagem de líder mundial de Gore, o candidato do Partido Democrata às eleições presidenciais do ano 2000.
Segundo Gore, nos próximos dois anos será empreendida uma campanha para convencer as potências exportadoras a adotar leis punindo suas empresas, caso ofereçam subornos em outros países para assegurar um negócio. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), que realizará uma reunião ministerial este ano nos EUA, o governo americano pressionará pela assinatura de um Acordo sobre Transparências nas Compras Governamentais.
O anúncio foi feito na abertura da primeira conferência mundial sobre combate à corrupção na Justiça e nos órgãos de segurança, convocada pelo próprio Gore. O evento, que conta com a presença de representantes de 89 países - entre eles o Brasil - termina amanhã. Mas apesar do tema ser político, nos discursos de ontem o que predominou foi o impacto econômico da corrupção num mundo cada vez mais globalizado.
Tanto Gore, quanto o secretário do Tesouro americano, Robert Rubin, responsabilizaram a corrupção pela gravidade da atual crise financeira, que começou na Ásia e se espalhou para a Rússia e o Brasil.
Segundo o vice-presidente, apesar de a economia americana permanecer próspera, alguns setores sofreram impacto da desvalorização de várias moedas e da queda na demanda mundial.
Nenhum país pode se isolar do impacto da corrupção, além de suas fronteiras, e portanto as nações devem trabalhar juntas para lugar contra a corrupção no mundo, disse Gore.


