EUA lançam ataque contra o Iraque
Caças dos Estados Unidos e a Grã-Bretanha lançaram nos primeiros minutos de hoje (horário de Bagdá) um ataque militar contra o Iraque. Os bombardeios ocorreram na capital Bagdá e regiões norte e sul do país. O presidente norte-americano, Bill Clinton, ordenou o ataque em retaliação à falta de cooperação do regime de Saddam Hussein com inspetores de desarmamento da ONU (Organização das Nações Unidas).
O ataque ocorreu na véspera da data marcada para votação de impeachment de Clinton pela Câmara dos Representantes (deputados) devido ao escândalo sexual com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. A votação deve ser adiada, segundo a rede de TV norte-americana CNN. Ontem à noite, Clinton fez pronunciamento à nação para justificar a ação bélica e seus assessores militares concederam entrevistas coletivas à imprensa para também dar detalhes dos motivos que levaram à decisão. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, leu nota oficial com duras críticas ao governo do Iraque. Estados Unidos e Grã-Bretanha consideram que não precisam de autorização do Conselho de Segurança da ONU para efetivar os ataques. Na terça-feira, um relatório da ONU havia acusado o regime iraquiano de impedir o prosseguimento das inspeções que buscam impor ao Iraque o fim de seus arsenais de destruição em massa.
Oposição O Congresso Nacional Iraquiano (CNI), principal organização de oposição ao presidente Saddam Hussein, repudiou o ataque ao Iraque e quer a implementação de um plano estratégico para depor, a médio prazo, o líder iraquiano.
Um ataque sem uma estratégia política clara que conduza ao fim do regime é contraproducente, disse o porta-voz do CNI, Nabeel Nusaui, por telefone, de Londres (Reino Unido).
Nos últimos meses, o CNI vem tentando obter apoio dos EUA para seu plano de derrubar Saddam.
O primeiro passo seria os EUA (e aliados) proibirem a entrada de tropas e material bélico do Iraque na zona de exclusão aérea criada no sudoeste do país durante a Guerra do Golfo.
A região seria definida como um refúgio seguro, onde os grupos de oposição iraquianos, reunidos no CNI, formariam um governo provisório e iniciariam os preparativos para derrubar Saddam.
Também no norte do país, numa área de maioria curda, seria criado um
refúgio seguro. Há territórios no Iraque que não estão sob controle de Saddam, mas de grupos ligados ao CNI. Se os EUA tornassem essas áreas mais seguras, poderíamos treinar lá, diz Nusaui.
O CNI também espera apoio de parte do Exército iraquiano, no caso de haver mais proteção. O desejo de deserção é grande. Mas os militares não têm um lugar seguro para ir.
Além de proteção, o CNI quer que os EUA forneçam armamentos e treinamento. O grupo pede também a suspensão do embargo econômico nas áreas liberadas e o descongelamento de recursos iraquianos no exterior. Embora existam muitas dúvidas sobre a viabilidade do plano )- e sobre a capacidade de liderança do CNI (fundado em 1992) -, a proposta vem sendo discutida nos Estados Unidos.
Em 5 de outubro último, o Senado aprovou o Ato de Libertação do Iraque, que destinou US$ 97 milhões para ajudar a oposição.
Em Bagdá, ontem, após uma reunião conjunta presidida por Saddam, o Conselho do Comando da Revolução e a liderança do Partido Baath conclamaram a população iraquiana a enfrentar qualquer ação dos EUA e da Grã-Bretanha.
Conclamamos vocês, homens e mulheres iraquianos, sempre confiando em Deus, a expulsar os sonhos fracassados (dos EUA e aliados) e provar, por fatos sólidos, que eles vão fracassar, como fracassaram antes.France PresseDe prontidãoSaddam aparece com um fuzil em foto de arquivo distribuída ontemAgência Folha e Reuters





