EUA já tem 110 mil soldados no Golfo
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2003
Fiona Mac Donald<br> France Presse 
Kuwait - Os Estados Unidos aumentaram de 37 mil para 51 mil homens suas forças militares no Kuwait, país que tem quase 60% de sua fronteira com o Iraque. No momento, 110 mil soldados americanos estão no Golfo Pérsico.
Os militares foram enviados para acampamentos montados no deserto do norte do Kuwait, ao longo de toda a fronteira iraquiana. ''Continuamos com o deslocamento de nossas tropas e equipamentos em toda a região para apoiar a guerra contra o terrorismo'', declarou à Agência France Presse o coronel americano Rick Thomas, porta-voz militar dos Estados Unidos.
''Isso nos permitirá responder a qualquer momento ao que o presidente (George W.) Bush nos ordenar'', acrescentou o coronel, por telefone, do acampamento de Doha, o maior do Exército americano no Kuwait.
Na terça-feira passada, o Pentágono anunciou que todo o norte do Kuwait, fronteiriço com o Iraque, será declarado ''zona militar fechada'' a partir de 15 de fevereiro.
O Emirado, que em fevereiro de 1991 foi libertado de uma ocupação iraquiana que durou sete meses, pode fechar seu espaço aéreo no caso de guerra, informou o ministro das Comunicações e Transportes, xeque Ahmed Abdallah al-Sabah.
Os Estados Unidos seguem reforçando seu dispositivo militar na região por causa da possível guerra contra o Iraque, especialmente depois do discurso de quarta-feira do secretário de Estado Colin Powell ao Conselho de Segurança da ONU, durante o qual ele apresentou supostas provas sobre a posse de armamento proibido por parte do Iraque.
Os militares americanos realizam manobras perto da fronteira iraquiana, mas destacam que só passarão ao ataque quando receberem ordens. Porém, o Kuwait ressalta que se opõe a um ataque contra seu vizinho e antigo inimigo sem uma mandato das Nações Unidas.
Por outro lado, o ministro kuwaitiano da Defesa, xeque Jaber Mubarak al-Sabah, afirmou em janeiro que, caso a ONU não aprove o ataque, o país decidirá se autoriza ou não o uso de suas bases para um ataque americano.
''Preferimos uma decisão internacional ou da ONU, mas se ela não acontecer, o governo decidirá de acordo com os interesses do Kuwait'' disse.
''Nos dois casos estamos em perigo'', opinou o analista político kuwaitiano Khaldun al-Naqib, que acrescentou: ''Deveríamos ter previsto esta situação, mas o Kuwait deu carta branca aos americanos para que eles decidissem o que fazer''.
Em Bagdá, dirigentes iraquianos informaram à Agência France Presse que os preparativos de guerra nos ministérios e órgãos oficiais do Iraque já começaram. As medidas incluem racionamento de eletricidade e instalão de comitês de crises nos andares térreos dos edifícios.


