EUA já se preparam para era 'pós-Fidel' em Cuba
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terça-feira, 08 de agosto de 2006
France Presse 
Washington- Os Estados Unidos reconheceram ontem que estão elaborando planos para a possibilidade de ''uma mudança da situação política em Cuba'', em meio à incerteza gerada pela delegação provisória do poder há mais de uma semana pelo presidente cubano Fidel Castro a seu irmão Raúl.
Segundo analistas, o governo americano que reclama milhares de milhões de dólares a Cuba por expropriações depois da revolução de 1959 poderia terminar pagando por elas, caso houvesse mudança política em Cuba.
Especialistas comentaram ontem que se o governo cubano mudar no futuro uma parte da ajuda econômica que os Estados Unidos estão dispostos a prestar durante uma eventual transição poderia ser utilizada para pagar indenizações, entre outros, a gigantes como Coca-Cola e Texaco.
Se houvesse um pacote de ajuda com ingredientes diferentes, o governo cubano poderá usar esses recursos para ressarcir'' as partes, disse à AFP Matías Travieso Díaz, um advogado em Washington DC que possui vários clientes industriais com causas na ilha.
A Foreign Claims Settlement Commission (FCSC), a Comissão dos Estados Unidos para reclamações de acordos no exterior tem causas de corporações e cidadãos americanos na Ilha avaliadas em mais de 8 bilhões de dólares (um montante inicial de mais de 1,8 bilhão mais juros acumulados desde 1959) por bens expropriados, ferimentos e mortes por atos do governo.
Entre a lista de reclamantes estão incluídos gigantes como Standard Oil e as tristemente célebres ITT (desmantelada) e United Fruit Co. (comprada pela companhia de banana Chiquita), mas também pessoas físicas.
Um acordo final sobre o assunto cabe ao departamento de Estado, disse à AFP Mauricio Tamargo, diretor da FCSC.
A Comissão de Ajuda a uma Cuba Livre, encabeçada pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, sustenta que o governo americano deve se oferecer para negociar diretamente as reclamações com um novo governo cubano, e permitir aos reclamantes cubanos buscar acordos por sua parte.
''Não há nada imediato mas este parece ser o princípio do fim'', comentou outro advogado. ''Confirmo que há projetos e que as pessoas estão tentando pensar no que poderia acontecer no caso de uma mudança na situação política em Cuba'', declarou à imprensa o porta-voz da Casa Branca Tony Snow em Crawford (Texas), onde o presidente George W. Bush passa as férias.
''O Departamento de Segurança Interior, o Departamento de Estado e outros setores do Governo estão observando e acompanhando de perto o que está ocorrendo em Cuba'', acrescentou o porta-voz, que voltou a insistir que ''os cubanos devem ficar na ilha e lutar pela democracia''.


