EUA investigam prostituição na Flórida
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sábado, 25 de abril de 1998
Ednelson Alves Especial para a Folha 
Um novo escândalo nos Estados Unidos envolve imigrantes mexicanos. Desta vez foi descoberto uma família de seis imigrantes ilegais, que com o apoio de outras dez pessoas, foram acusados de recrutar 20 jovens em Vera Cruz, no México, para explorá-las numa rede de prostituição em áreas ricas do sul da Flórida como West Palm Beach e no Condado de Broward. O principal acusado é Rogério Cadena, 51 anos, que teria comprado as jovens, entre elas algumas de 14 anos, de contrabandistas de imigrantes que atuam no eixo México-Texas. As jovens foram aliciadas no México com proposta de trabalho decente nos Estados Unidos e apoio para legalização. Mas ao cruzar a fronteira começaram a enfrentar um verdadeiro inferno com toda sorte de abusos.
O caso é tão grave que os 16 acusados (8 deles já estão presos) de violação de direitos civis e da lei de imigração, além dos crimes de escravidão, exploração sexual e extorsão poderão ser condenados a prisão perpétua. Outros quatro irmãos de Cadena (Juan Luis, Abel, Rafael e Hugo) estão foragidos no México, mas a justiça americana está tentando conseguir a extradição deles.
As investigações começaram em novembro quando duas jovens de apenas 15 anos escaparam de um bordel de West Palm Beach. Elas conseguiram chegar ao consulado do México em Miami (70 quilômetros ao sul de onde fugiram) e denunciaram tudo. A partir daí a polícia conseguiu libertar as reféns e prendeu 8 dos 16 acusados. Bill Lann Lee, do Departamento de Justiça que veio a Miami para acompanhar de perto as investigações, revelou que nos últimos meses foram descobertos 10 casos graves de exploração de 150 imigrantes, entre eles 60 mexicanos surdos que eram obrigados a mendigar nas proximidades de Nova York. Outros casos vergonhosos foram descobertos na Geórgia, Carolina do Sul, Nova York e Califórnia, envolvendo exploração de trabalhadores.


