Ao menos 50 insurgentes iraquianos morreram em uma série de operações realizadas ontem pelo Exército norte-americano na região de Samarra, no norte do Iraque. Esta semana, confrontos entre combatentes leais ao clérigo radical xiita Moqtada al Sadr e forças de segurança americanas e iraquianas causaram a morte de 72 iraquianos em Kut (sul do Iraque). Em Najaf, também no sul, forças de coalizão lideradas pelos EUA cercaram a cidade.
No ataque em Samarra (a 110 km ao norte de Bagdá), que faz parte do chamado ''triângulo sunita'', um dos principais focos da resistência iraquiana, foram utilizadas bombas de 230 quilos para atacar redutos da resistência iraquiana, de acordo com o alto comando americano.
Em Hilla (100 km ao sul de Bagdá), ao menos 14 pessoas morreram e outras 37 ficaram feridas em confrontos com tropas polonesas. Um comboio de cerca de cerca de 20 soldados poloneses foram sitiados por 250 rebeldes. A batalha, aconteceu na noite de anteontem quando integrantes de milícia leais ao clérigo radical xiita Muqtada al Sadr tentaram tomar uma delegacia.
Kut tem registrado confrontos diários entre as tropas americanas e membros do Exército de Mehdi. Al Sadr é acusado pelo governo iraquiano empossado de defender o sectarismo religioso e de encabeçar uma campanha contra os EUA. Ele defende a saída das forças da coalizão no país.
Na última quinta-feira, milhares de soldados dos EUA e tropas iraquianas lançaram a maior represália contra Al Sadr em Najaf, com explosões e tiroteios ao redor da cidade e do cemitério local, onde muitos simpatizantes do líder xiita se escondem.
O Exército dos EUA estima que centenas de rebeldes tenham morrido nas ações em Najaf nos últimos dias. Pelo menos cinco membros das tropas americanas e 20 oficiais iraquianos morreram. Centenas de pessoas fugiram da região no últimos dias, deixando o local acompanhados por familiares e amigos e se dirigindo para cidades vizinhas.
Em contrapartida, milhares de iraquianos partidários do chefe radical xiita Moqtada al-Sadr se encontravam ontem de manhã às portas da cidade santa de Najaf, em atendimento ao apelo feito na véspera em Bagdá aos fiéis xiitas para que marchassem a pé para a cidade. Os manifestantes, muitos dos quais chegaram em ônibus, estão encabeçados pelo xeque Hazem al-Araji, representante de Al-Sadr. Um cessar-fogo está em vigor desde a noite passada na cidade santa, onde ocorreram violentos combates durante mais de uma semana entre as milícias de Al-Sadr e as tropas norte-americanas, que apóiam as forças de segurança iraquianas.
Abertura para a ONU -O clérigo xiita Moqtada al-Sadr disse que está disposto a aceitar os ''capacetes azuis'' da ONU em substituição à Força Multinacional que é uma ''força de ocupação'', afirmou ontem seu porta-voz em Najaf, Ahmad Chaibani. ''Preferimos a ONU às forças de ocupação (americanas) já que o Iraque é membro das Nações Unidas''. Ele acrescentou que ''Moqtada Sadr está disposto a falar com o representante da ONU se isso for pedido'', afirmou o xeque Chaibani. Ashraf Jehangir Qazi, o enviado especial do secretário-geral da ONU Kofi Annan no Iraque, chegou na sexta-feira a Bagdá para participar na Conferência Nacional iraquiana, que tem início este domingo. O porta-voz do dirigente xiita rebelde afirmou que seu movimento aceitará uma conferência que reúna os representantes das diversas comunidades iraquianas, como a Hawza (direção religiosa xiita), os ulemás, os dois partidos curdos (PDK e UPK) e outros responsáveis de comunidade étnicas e religiosas do Iraque. Antes disse que al-Sadr se nega a participar na Conferência nacional tal como está prevista atualmente por considerá-la uma ''farsa''.

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