EUA insistem em derrubar Saddam
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terça-feira, 17 de setembro de 2002
Agência EFE 
WashingtonA Casa Branca afirmou ontem que depois do sinal verde dado pelo Iraque para a volta dos inspetores de armas ao país, ''agora é ainda mais importante'' que a ONU e o Congresso dos EUA ajam contra o regime de Saddam Hussein. Fontes da Casa Branca informaram que os acontecimentos provam que ''Saddam Hussein responde à máxima pressão'' e destacaram que ''agora é o momento'' de agir tanto internacionalmente quanto no Congresso.
As mesmas fontes afirmaram que o secretário de Estado americano, Colin Powell, continuará exercendo pressão nas Nações Unidas para conseguir a aprovação de uma resolução que obrigue Saddam a cumprir seus compromissos dentro de prazos pré-determinados. Ao mesmo tempo, os EUA querem que esta resolução seja ''diferente'' de outras aprovadas anteriormente.
A Casa Branca insiste que Saddam é um ''mentiroso comprovado'' e as fontes reiteraram ontem que, ''se a palavra de Saddam Hussein servisse para alguma coisa, ele estaria desarmado há muito tempo''
Na primeira declaração oficial depois de tomar conhecimento da oferta iraquiana o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que ''não se trata de uma questão de inspeção de armas, mas de desarmamento do Iraque''.
O secretário do Tesouro dos EUA, Paul O'Neill, disse ontem que, apesar de a decisão do Iraque permitir a volta incondicional dos inspetores de armas a seu país, Saddam deve ser retirado do poder. O'Neill insistiu na necessidade de uma mudança de regime no Iraque. ''Saddam Hussein tem que sair'', afirmou, e destacou que ''é difícil acreditar'' que o Iraque faça algo agora que não fez durante 10 anos, desrespeitando 16 resoluções das Nações Unidas.
Acordo em 10 diasO Governo do Iraque aceitou ontem reunir-se com as Nações Unidas dentro de dez dias em Viena para finalizar os detalhes práticos que permitam o retorno imediato dos inspetores internacionais de desarmamento. A informação foi dada, ontem à noite, em Nova York.
PreocupaçãoO Iraque confirmou que aceita o regresso incondicional dos inspetores de desarmamento da ONU, mas se mostrou convencido de que essa medida não será suficiente para evitar que os Estados Unidos mudem seus planos militares.
''Encontrarão outra desculpa para manter seus planos. O objetivo não são as supostas armas de destruição em massa, mas o controle do Oriente Médio e de seu petróleo'', disse o vice-primeiro ministro iraquiano, Tarek Aziz, em entrevista coletiva em Bagdá.
Depois de afirmar que o Iraque adotou a decisão para atender os pedidos dos ''Estados árabes e de nações amigas'', Aziz argumentou que, com isso, seu país ''joga abaixo a justificativa que os EUA expunham para atacar'' o Iraque.
Classificou, no entanto, como ''desanimadora'' a postura dos EUA de considerarem como uma ''manobra de distração'' a mudança de postura do regime iraquiano, que até agora negava-se a admitir o retorno dos inspetores.


