France Presse
e Reuter
Os Estados Unidos relançaram ontem a opção diplomática para obrigar o Iraque a se dobrar, ao mesmo tempo em que se multiplicam os esforços de mediação, para tentar desativar a crise e impedir o uso da força, com a qual ameaçou Washington. ‘‘Nós continuamos preferindo a solução diplomática e pensamos que é o melhor caminho’’, declarou em Jerusalém a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright.
Até então, Madeleine vinha empregando um tom belicoso contra o Iraque, que se nega a permitir a entrada dos inspetores da ONU encarregados do desarmamento em alguns lugares. No entanto, ‘‘se este caminho não levar a nenhum lado, nos reservamos o direito de empregar a força’’, prosseguiu a secretária ao final de seus encontros com os dirigentes israelenses e palestinos.
A chefe da diplomacia norte-americana, que visitará depois o Golfo para entrevistar-se com os aliados de Washington na região, precisou que a ação militar planejada por seu país será ‘‘substancial’’ e ‘‘rápida’’. Madeleine chegou ontem ao Kuwait e depois visitará a Arábia Saudita e Bahrein.
Os Estados Unidos têm uma força de cerca de 30 navios de guerra e 300 aviões de combate no Golfo e afirma que estão prontos, com ou sem a aprovação internacional, para atacar centros de comando e bases, assim como instalações suspeitas de abrigarem armas químicas e biológicas.
Todos os membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) consideram que o Iraque não pode decidir unilateralmente deixar de cooperar com os inspetores da ONU encarregados do desarmamento, ou rejeitar inspetores de tal ou qual nacionalidade.
NegociaçõesMas, em caso de não cooperação por parte do Iraque, Paris e Moscou continuam contrários à opção militar apresentada por Washington e apoiada pela Grã-Bretanha. Em Djeddah (Arábia Saudita), a Organização da Conferência Islâmica (OCI, que reúne 55 membros) conclamou aos países prosseguirem os esforços diplomáticos manifestando sua ‘‘preocupação’’.
Já o secretário geral da ONU, Kofi Annan, recomendará um forte aumento das receitas do Iraque com suas vendas de petróleo, que deverão ser um pouco mais de US$ 5 bilhões por semestre em vez dos US$ 2 bilhões, segundo diplomatas da ONU. Annan fará esta recomendação num informe muito esperado que será entregue domingo aos membros do Conselho de Segurança, com o objetivo de ‘‘melhorar a implementação do programa humanitário’’.
Um enviado especial da França chegará amanhã a Bagdá para conversações, segundo informou um alto dirigente do partido governista Baath, Saad Qasim Hamoudi. Em seu encontro com o primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, no sábado, em Paris, o presidente francês, Jacques Chirac, informou-lhe que a França iria encaminhar uma mensagem firme ‘‘ao Iraque para que pese as consequências de sua recusa em cooperar com a ONU’’, segundo sua porta-voz, Catherine Colonna.
Um representante do governo russo, o vice-chanceler Viktor Posuvalyuk, chegou ontem ao Iraque, com propostas de mediação do presidente Boris Yeltsin. Esta é sua segunda missão em uma semana. A Turquia também deve mandar a Bagdá esta semana seu chanceler, Ismail Cem.

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