O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, deu ontem seu apoio ao informe Mitchell, afirmando que este pode servir de base para o fim da violência no Oriente Médio, além de nomear um mediador para pôr em prática suas recomendações. ‘‘Os Estados Unidos estão prontos para atuar de maneira a estabelecer um plano de trabalho e um calendário, destinado a aplicar as recomendações do informe Mitchell, incluindo o retorno das negociações’’, disse Powell. ‘‘As negociações não podem começar no clima atual de violência intensa e de ausência total de confiança entre as duas partes’’, acrescentou.
Ele convocou israelenses e palestinos a reafirmarem o compromisso a favor dos acordos já assinados e a retomarem as conversas sobre as questões de segurança. Powell informou que seu mediador, William Burns, nomeado ‘‘assistente especial’’ do secretário de Estado, contribuirá com a elaboração de um calendário que objetiva acabar com a violência e retomar as negociações de paz entre israelenses e palestinos.
Também pediu ao embaixador dos Estados Unidos em Israel, Martin Indyk, e seu cônsul-geral em Jerusalém, Ronald Shleker, para começarem as negociações com as autoridades israelenses e palestinas.
Powell insistiu na necessidade do governo de Ariel Sharon ‘‘parar com todas as atividades de construção nas colônias, para contribuir com a volta da confiança entre as duas partes’’, e pediu à Autoridade Palestina, de Yasser Arafat, que reprima os ataques contra Israel.
SugestõesO ex-senador americano George Mitchell pediu aos palestinos para prenderem terrorista e a Israel para congelar todas as atividades de assentamentos, dizendo que os dois lados têm de agir rapidamente a fim de retirar a região da beira do abismo.
‘‘Medo, ódio, revolta e frustração têm crescido em ambos os lados’’, afirmou Mitchell ao apresentar um relatório produzido por uma comissão de observação encabeçada por ele. ‘‘O pior de tudo é que a cultura de paz, cultivada na última década, está sendo destroçada. Em seu lugar existe um elevado senso de fracasso e desespero, e um crescente uso de violência.’’
A comissão, estabelecida como parte de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro, que não foi respeitado, recomendou uma série de passos a serem tomados por ambos os lados a fim de pôr fim a um ciclo de violência e represálias que já dura oito meses.
O relatório levantou expectativas de que Washington assumirá um papel mais agressivo. Os crescentes confrontos são vistos como um teste para a relutância do presidente George W. Bush em se envolver diretamente na região.

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