São Paulo - Os Estados Unidos impuseram ontem toque de recolher na cidade de Mossul, norte do Iraque, depois que um atentado matou anteontem 18 americanos e quatro iraquianos, na pior ação contra os americanos ocorrido neste ano no Iraque.
Uma explosão atingiu o refeitório da base americana de Merez, perto de Mossul, no momento em que centenas de soldados e civis americanos, que trabalham em conjunto com forças iraquianas, almoçavam.
Na manhã de ontem, a segurança na cidade de Mossul foi reforçada e crianças que foram para a escola tiveram de voltar para suas casas. O presidente dos EUA, George W. Bush, disse que as ações violentas dos rebeldes não vão atrapalhar a realização das eleições iraquianas, previstas para 30 de janeiro, que vão definir a Assembléia Nacional do país.
O governo de Mossul também interrompeu o acesso a cinco pontes no rio Tigre e ameaçou o uso de armas de fogo contra pessoas que violarem sua ordem. Os EUA confirmaram que um toque de recolher estabelecido no início deste mês, que vigora no período de 21h às 5h, continua valendo.
Ao mesmo tempo em que tentam reforçar a segurança da terceira maior cidade do Iraque, os EUA mantêm investigações e buscas para confirmar a autoria do ataque de anteontem, reivindicado por um grupo ligado à rede terrorista Al Qaeda.
Mossul tem vivido situação de intensa violência há várias semanas. Conflitos étnicos também atingem a região, habitada por árabes e curdos. Especula-se que o terrorista jordaniano Abu Musab al Zarqawi, principal inimigo dos EUA no Iraque, e responsável por vários sequestros e decapitação de estrangeiros, tenha se mudado de seu reduto original, a cidade de Fallujah (50 km a oeste da capital Bagdá), durante ação dos EUA na cidade no início de novembro, que durou duas semanas, e se instalado em Mossul.
A cidade, que fica a 390 km ao norte de Bagdá, foi um bastião importante de leais a Saddam. Os dois filhos do ex-ditador foram perseguidos e mortos pelos EUA em Mossul, em julho do ano passado.
Os xiitas, que representam cerca de 60% da população iraquiana, apóiam a eleição e a consideram uma chance importante para pôr fim a uma era em que sunitas - ligados a Saddam - dominaram o país por tantos anos.
Será a primeira eleição desde a queda de Saddam em abril de 2003. Os iraquianos irão escolher uma Assembléia Constitucional de 275 membros, que deve escrever uma Constituição. Caso seja adotada em um referendo no ano que vem, a Constituição formará as bases legais para que uma eleição presidencial seja realizada em 15 de dezembro de 2005.

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