Os Estados Unidos asseguraram ao Vaticano que não realizarão nenhuma operação de retaliação contra o Afeganistão durante a visita de seis dias de João Paulo II a dois países da Ásia Central, Casaquistão e Armênia, iniciada ontem, informou uma fonte da chancelaria vaticana, citada pela BBC de Londres. Esses dois países ficam muito próximos das fronteiras do teatro das eventuais operações militares americanas.
Ao condenar com vigor na semana passada os atentados terroristas e pedir moderação e clemência aos Estados Unidos em sua reação, para evitar ''infligir sofrimentos a civis inocentes'', o papa havia deixado claro que não adiaria nem alteraria em nenhuma hipótese seu programa de viagem àquela região. ''Será levada a cabo exatamente como planejamos'', insistiu na ocasião um porta-voz do Vaticano.
Antes de desembarcar em Astana, capital do Casaquistão, ele dirigiu um apelo ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que ''colabore com a paz e a Justiça no mundo''. O pedido de João Paulo II a Putin, feito enquanto seu avião sobrevoava o espaço aéreo russo, coincidiu com o décimo aniversário da queda do comunismo e da derrocada da antiga União Soviética - da qual o Casaquistão e a Armênia faziam parte.
No dia anterior, o presidente russo havia reiterado a solidariedade da Rússia aos Estados Unidos no combate ao terrorismo internacional e renovado a oferta de colaboração (não no âmbito militar). Putin tinha dito também não temer uma guerra em larga escala em consequência de uma operação retaliatória americana.
''Os líderes mundiais não deixarão que isso aconteça'', explicou. Mas a Rússia não esconde sua preocupação com o que classifica de ''possível desestabilização da Ásia Central'' no caso de um ataque ao Afeganistão.

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