France PresseVida duraIraquiana e o filho desembarcam em uma das margens do Tigre. População de Bagdá sofre racionamento de combustívelUma solução diplomática para a crise com o Iraque sobre inspeções de armas da ONU passa por dar a Bagdá a perspectiva de uma eventual suspensão das sanções caso o país cumpra suas obrigações, afirmaram ontem autoridades ocidentais. Este será o principal foco do encontro de ministros do Exterior dos Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha e França em Genebra nas primeiras horas desta quinta-feira.
Enquanto Washington aumenta a pressão militar enviando mais bombardeiros para o Golfo Pérsico a fim de reforçar seus dois porta-aviões já na região, as autoridades afirmaram que o presidente dos EUA, Bill Clinton, tem deixado bem claro que prefere uma solução política.
O ministro do Exterior da Rússia, Yevgeny Primakov, um veterano em assuntos do Oriente Médio, tem dito que irá apresentar a seus colegas um plano para evitar ação militar por causa da expulsão do Iraque de inspetores de armas americanos, o que provocou a crise.
France PresseLinha duraA secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, embarca para Genebra: ‘‘Não concordamos com fim das sanções’’
Enquanto Moscou tem mantido silêncio sobre detalhes do plano, trabalhado em conversações com o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tariq Aziz, autoridades ocidentais disseram que ele gira em torno de mostrar ao Iraque uma ‘‘luz no fim do túnel’’ se o país cooperar com a eliminação de suas remanescentes armas de destruição em massa.
‘‘Temos de dizer claramente e com credibilidade aos iraquianos que se eles cumprirem plenamente as resoluções (do Conselho de Segurança da ONU), eles podem esperar a suspensão das sanções’’, afirmou um oficial europeu. ‘‘E não é isso que os americanos têm declarado no passado recente’’, acrescentou.
A secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, que estava voando da Índia direto para Genebra para o encontro da madrugada, declarou em março: ‘‘Não concordamos com nações que defendem que, se o Iraque cumprir com suas obrigações referentes às armas de destruição em massa, as sanções deveriam ser suspensas’’.
Ela disse então numa palestra na Universidade de Georgetown que não haveria mudança na política em relação ao Iraque ‘‘não importa quanto tempo leve’’ para se livrar do presidente Saddam Hussein.
Autoridades européias afirmaram que Clinton reconheceu em telefonemas aos seus colegas britânico e francês, no fim de semana, a necessidade de detalhar claramente ao Iraque o que é necessário para alcançar a suspensão das sanções.
Mas elas disseram esperar duras conversações em Genebra, com Albrightdisposta a garantir que Moscou não negociou algum acordo com Saddam que é inaceitável para o Ocidente.
‘‘A idéia é que um comunicado, possivelmente feito pelo presidente do Conselho de Segurança, esclarecendo nossa interpretação da Resolução 687 sobre a suspensão das sanções, possa garantir aos iraquianos que não há agenda secreta para manter o embargo de petróleo indefinidamente’’, disse um oficial europeu.
Todas as quatro grandes potências concordam que Bagdá tem de permitir que a Comissão Especial (Unscom), supervisionando a eliminação de suas armas químicas e biológicas e mísseis balísticos, opere livremente. A Unscom é responsável por dar ao Iraque uma clara aprovação a seu comportamento, mas tem sido repetidamente obstruída em seus trabalhos.
A França, Grã-Bretanha e os Estados Unidos têm sugerido nos últimos dias que a Unscom pode alterar o peso das nacionalidades em suas equipes de inspeção uma vez que o Iraque reverta sua decisão, apesar de todos terem dito que tem de haver alguns americanos.
‘‘Não haverá uma promessa pública de redução do número de inspetores americanos, já que iria parecer que estávamos nos curvando às exigências do Iraque. Qualquer coisa que seja decidida será de forma tácita’’, disse o oficial europeu.
Oficiais iraquianos têm dito que alguns inspetores americanos poderiam retornar ao país caso houvesse um maior equilíbrio na representatividade da comissão.
Um oficial britânico afirmou anteontem a repórteres que Londres, o aliado mais próximo de Washington, não vê nenhum problema com a mudança na nacionalidade dos participantes da comissão.

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