A radicalização dos sérvio-bósnios ultranacionalistas, que desafiam cada vez mais abertamente a OTAN, faz com que o presidente norte-americano Bill Clinton se sinta levado a recorrer à força contra o líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic, uma decisão que Clinton tenta evitar há 18 meses.
A revolta de quinta-feira passada em Brcko, quando centenas de sérvio-bósnios responderam a um apelo de insurreição contra as tropas da Força de Estabilização da OTAN (SFOR) lançado através da rádio da facção radical, puseram os Estados Unidos entre a cruz e a espada.
Os ataques contra os soldados norte-americanos - dois ficaram levemente feridos - precipitam o momento em que Clinton deverá tomar uma decisão sobre o recurso à força para neutralizar Karadzic, afirmou à AFP Stephen Walker, diretor do Instituto dos Balcãs em Washington.
Ex-presidente da Republika Srpska (RS, entidade sérvia da Bósnia), Karadzic foi acusado de crimes de guerra, de crimes contra a humanidade e de genocídio pelo Tribunal Penal Internacional de Haia.
‘‘Nos próximos dois a quatro meses, tudo vai se acelerar e a OTAN deverá tomar uma decisão’’, acrescentou Walker, que se demitiu do departamento de Estado em agosto de 1993 para protestar contra a passividade dos Estados Unidos no conflito bósnio.

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