EUA fecham acordo para pôr fim aos combates
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segunda-feira, 19 de abril de 2004
France Presse 
Bagdá - A coalizão liderada pelos Estados Unidos anunciou ontem um acordo para pôr fim aos combates na cidade sunita de Fallujah, depois de 15 dias de cerco e de confrontos sangrentos. Além disso, o processo de retirada das tropas espanholas do Iraque ''já começou, e será concluído rapidamente'', declarou em Madri o ministro da Defesa, José Bono, no dia seguinte do anúncio pelo presidente do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, de sua decisão de retirar seus 1.432 soldados do país árabe.
O acordo sobre Fallujah, concluído com representantes locais, prevê patrulhas conjuntas das forças da coalizão e das forças de segurança iraquianas, a entrega das armas, uma anistia para os que entregarem armamento pesado, o acesso a hospitais e disposições para o enterro dos mortos, informou o porta-voz da coalizão, Dan Senor, depois de vários dias de conversas.
As duas partes prometeram tomar todas as medidas para estabelecer um cessar-fogo ''total e permanente'', acrescentou Senor durante uma entrevista coletiva à imprensa em Bagdá, advertindo que a coalizão retomará as ''operações hostis de envergadura'' em caso de violação do acordo.
Mais de 600 iraquianos morreram durante o sítio e os combates mortíferos em Fallujah, segundo fontes hospitalares. As tropas americanas também sofreram baixas significativas.
A delegação da coalizão para as negociações era liderada por Richard Jones, adjunto do administrador civil americano no Iraque, Paul Bremer. A parte iraquiana estava representada por emissários de três membros sunitas do Conselho de Governo provisório e por dirigentes de Fallujah. Estes últimos ainda devem convencer os guerrilheiros a entregarem as armas.
Segundo o acordo, a polícia local será encarregada de investigar o assassinato, em 31 de março em Fallujah, de quatro empresários americanos, dois dos quais foram mutilados depois de mortos, o que provocou a ofensiva americana na cidade sunita.
A situação estava calma ontem na cidade, de acordo com um mediador iraquiano. Em Najaf (centro), Qais al-Khazaali, um colaborador de Moqtada al-Sadr, informou que o líder xiita radical fez um apelo a seus partidários para que cessem os ataques contra os soldados espanhóis.
''Exortamos a garantir a segurança das tropas espanholas até que elas se retirem do país, desde que não agridam o povo iraquiano'', declarou Al-Khazaali à AFP. ''Os demais países que enviaram tropas deveriam seguir o exemplo da Espanha'', acrescentou.
O presidente americano George W. Bush lamentou a decisão de Zapatero. Porém, em Bagdá, o general Mark Kimmitt, chefe adjunto das operações militares, garantiu que não haverá ''vazio de segurança no terreno'', apesar das retirada dos espanhóis, que poderão, segundo ele, ser ''substituídos rapidamente''.
Levando em conta a violência destas últimas semanas, Bremer considerou que os iraquianos eram incapazes de manter a ordem sozinhos no seu país depois da transferência de poderes, prevista para o dia 30 de junho.


