Uma delegação norte-americana encabeçada pelo subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Marc Grossman, começou ontem na Otan um giro europeu para informar sobre o projeto de escudo antimísseis a seus colegas da Aliança Atlântica.
Grossman destacou a ‘‘extrema importância das consultas com os aliados’’ dos Estados Unidos na Otan sobre a criação de um escudo antimísseis anunciado na semana passada pelo presidente norte-americano, George W. Bush.
Após reunir-se ontem com o secretário-geral da Otan, George Robertson, e com o conselho permanente da Aliança, formado pelos embaixadores dos 19 países membros, o número três do Departamento de Estado disse estar ‘‘surpreso de que todos coincidiram na opinião segundo a qual o mundo mudou’’.
‘‘O mundo de 2001 não é o mesmo de 1972, mudou. A Rússia já não é nossa inimiga e também agora existe o desafio da proliferação’’, Grossman explicou a seus aliados.
A instalação de um sistema antimísseis para neutralizar não já uma ameaça procedente da Rússia ou China, mas de Estados ‘‘rebeldes’’ como Coréia do Norte, Iraque, Irã ou Líbia, se choca com o tratado russo-americano ABM (Anti-Ballistic Missile) de maio de 1972, considerado como o fundamento da dissuasão.
‘‘Estamos aqui para contar o que pensam os Estados Unidos, mas também para escutar nossos aliados’’, explicou, lembrando que o secretário-geral da Otan o chamou de ‘‘um processo de reflexão que todos necessitamos de fazer juntos’’. Os norte-americanos e os aliados tentaram ‘‘chegar a uma visão conjunta sobre como enfrentarmos este novo desafio’’, segundo Grossman. ‘‘Os aliados deram as boas-vindas às consultas e reconheceram que o mundo mudou e que há novas ameaças’’, explicou Grossman.
A autoridade norte-americana informou aos jornalistas que a conversação de ontem não abordou detalhes como a lista de inimigos e suas ameaças e o dinheiro e a eventual contribuição européia no escudo antimísseis.

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