EUA estimularam os talebans
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de agosto de 1998
Christian Spillman France Press 
Armados pelo Paquistão e financiados pela Arábia Saudita com a permissão dos Estados Unidos para pacificar o Afeganistão, os talebans deixaram de obedecer aos seus ex-tutores e ameaçam atualmente os intereses russos e iranianos na região. Moscou e Teerã manifestaram sua preocupação com os atos dos talebans, cohecidos como estudantes de teologia.
Moscou os acusou de massacres étnicos contra as minorias há uma semana na tomada de Mazar-i-Sharif. Esta informação foi desmentida ontem por um porta-voz dos talebans Wakil Ahmed Muttawakil, em declarações à agência Afghan Islamic Press (AIP).
Estas acusações sem fundamento têm como objetivo ocultar a ajuda que a Rússia presta à oposição afegã, acrescentou o porta-voz.
Uma das principais causas desta crise, entretanto, está no papel ambíguo e no jogo complicado desempenhado pelos Estados Unidos no Afeganistão.
Quatro anos atrás, os talebans não existiam. Seu movimento surgiu em 1994 em um país devastado pela guerra contra os russos e onde abundavam as rivalidades entre faccões religiosas e chefes guerreiros.
Mas é preciso remontar à guerra fria para compreender a estratégia dos Estados Unidos.
Estados Unidos jogam a carta islâmica para deter o avanço do comunismo, explica François Thual, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS) em Paris.
A União Soviética desapareceu, mas o que gerou na crise afegã está presente aqui e agora. Esta situação se voltou contra eles (os americanos). Você financia um movimento, o arma, mas chega o momento em que perde todo controle sobre ele, acrescenta o pesquisador francês.
Os talebans se converteram numa péssima companhia. Frente à grave ameaça que representam, os interesses econômicos que estão ligados à sua presença passaram a um segundo plano, em particular um projeto de gasoduto que permitiria levar 20 bilhões de m3 de gás todo ano do Turcomenistão ao Paquistão e daí aos países asiáticos.


