A secretária de Estado americana, Madeleine Albright, embarcou ontem de Washington para a Europa e o Oriente Médio para acertar o lançamento de ‘‘uma forte resposta internacional ao contínuo desafio iraquiano’’ à ONU, enquanto o enviado russo a Bagdá, Viktor Posuvalyuk, reunia-se com o presidente Saddam Hussein para tentar achar uma saída diplomática para a crise. ‘‘Os EUA preferem uma decisão multilateral, mas nesta viagem não vou pedir permissão nem buscar apoio, vou explicar nossa posição: estamos preparados para atacar sozinhos’’, ressaltou Albright.
O Iraque, entretanto, não deu sinal de recuo: Bagdá anunciou que pensa em recorrer à Corte Internacional de Justiça, em Haia, contra a ameaça americana de ataque e exigiu que a ONU repreenda o inspetor-chefe de desarmamento da organização, Richard Butler, por este ter dito ao ‘‘The New York Times’’, que Bagdá possui armamento biológico suficiente para ‘‘arrasar Tel-Aviv’’. ‘‘Estamos chocados pelas ultrajantes declarações de Butler’’, afirmou o chanceler iraquiano, Said al-Sahaf. ‘‘Elas mostram que Butler não é neutro.’’ Sahaf disse que tais declarações não passam de ‘‘mentiras baratas’’.
Albright vai se reunir hoje em Paris com o ministro francês de Relações Exteriores, Hubert Vedrine, amanhã em Madri com o chanceler russo, Yevgeny Primakov, e sábado em Londres com seu colega britânico, Robin Cook. Depois, visitará Israel, os territórios palestinos, o Kuwait, a Arábia Saudita, o Bahrein e o Egito. Butler, por sua vez, visitará a partir de sexta-feira os países membros não permanentes do Conselho de Segurança, incluindo o Brasil.

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