Washington Os Estados Unidos demonstram otimismo em relação às possibilidades de que se chegue a um acordo sobre uma resolução contra Bagdá na próxima semana, enquanto as posições dos cincos membros permanentes do Conselho de Segurança parecem se aproximar, segundo manifestou ontem o ministro das Relações Exteriores russo, Igor Ivanov.
''Nestes últimos três dias, os cinco membros conseguiram aproximar suas posições sobre uma resolução para o Iraque'', declarou Ivanov, citado pela Interfax, mas ''sérias divergências'' ainda persistem, acrescentou.
Quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano Colin Powell conversou pelo telefone com os ministros das Relações Exteriores francês, Dominique de Villepin, e russo, Igor Ivanov. A Rússia e a França são os países que têm mais reservas em relação ao texto apresentado pelos Estados Unidos com o apoio da Grã-Bretanha.
As últimas discussões foram ''construtivas'' e as ''divergências se reduziram'', declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, acrescentando: ''Esperamos que as decisões sejam tomadas no mais tardar dentro de uma semana''.
O porta-voz norte-americano enfatizou que os Estados Unidos levaram em conta as críticas de seus colegas, mas garantiu que não vão ceder em vários pontos que considera fundamentais.
''Deve ser feita uma menção clara de que o Iraque não agiu conforme (suas obrigações anteriores), deve ser adotado um regime rígido de inspeções e deve haver consequências em caso de novas violações por parte do Iraque'', declarou.
Em Londres, um funcionário do governo afirmou, pedindo para não ser identificado, que uma fórmula de compromisso entre os cinco Estados membros permanentes do Conselho de Segurança poderá ser obtida. Nela se ameaçaria Bagdá com ''sérias consequências'' caso ofereça obstáculos às inspeções, sem incluir um recurso automático da força.
Os meios diplomáticos britânicos classificaram este avanço como ''um passo e meio'', pois ainda serão realizadas duas reuniões do Conselho. O chefe da diplomacia francesa, por sua vez, considerou ''essencial que a ação que está sendo realizada, em cada etapa, esteja dirigida em consulta com os amigos árabes'', mas assinalou que houve ''importantes progressos nas últimas semanas''.
Por sua parte, o Iraque, através do jornal As Saura, pediu ontem ao chefe dos inspetores de desarmamento da ONU, Hans Blix, e ao diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, que não se curvem às exigências norte-americanas depois da reunião mantida na quarta-feira passada com o presidente George W. Bush.
Mais de 13.000 universitários norte-americanos assinaram quinta-feira uma carta aberta opondo-se à invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Em várias partes do mundo, igualmente, continuam as manifestações contra a guerra.

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