EUA espera apoio de Berlim contra Iraque
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sábado, 07 de setembro de 2002
France Presse 
Washington - O presidente americano George W. Bush recebeu ontem o primeiro-ministro britânico Tony Blair, seu aliado, que disse estar disposto a pagar ''o preço do sangue'' para apoiar um ataque contra o Iraque, depois de ter tentado sem resultados pressionar a França, Rússia e China.
Uma mudança no posicionamento de Berlim também está em destaque. O governo alemão pareceu entreabir a porta a um ataque ao Iraque ao avaliar que há provas de envolvimento de Bagdá com o terrorismo, ''o que criaria uma nova situação''.
O chanceler alemão Gerhard Schroeder era até o momento o único dos grandes aliados europeus de Washington que tinha descartado participar de um ataque militar americano, inclusive se este fosse aprovado pela ONU.
Bush receberia Blair ontem à tarde em Camp David. O britânico é um dos raros líderes internacionais que apóiam a intenção de mudar à força o regime de Saddam Hussein, acusado de produzir armas de destruição em massa.
Downing Street nega que se trate de um ''conselho de guerra'', mas Blair garantiu na quinta-feira à BBC que está pronto para pagar ''o preço do sangue'' para apoiar os Estados Unidos, tom que difere da hesitação que Bush encontrou em suas conferências por telefone com os dirigentes francês, Jacques Chirac, russo, Vladimir Putin, e chinês, Jiang Zemin.
Segundo o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, Bush insiste na ''necessidade de fazer com que o mundo seja mais pacífico'' e, aparentemente, seus interlocutores se mostraram cautelosos, apesar do presidente americano ter dito que ainda não tomou nenhuma decisão sobre uma possível ofensiva militar.
Fleischer não mencionou a menor diferença entre Bush e seus interlocutores. Autoridades em Paris e Moscou afirmaram que Chirac e Putin mantiveram suas respectivas posições. A China não deu maiores informações sobre a conferência Bush-Jiang, mas esta sempre se mostrou contra um ataque ao Iraque.
O porta-voz da Presidência francesa afirmou que Chirac disse a Bush que a comunidade internacional devia atuar com ''determinação'' frente ao Iraque, mas lembrou ao presidente americano e ao primeiro-ministro britânico que a ONU deve decidir que medidas tomar contra Bagdá.
Chirac também reiterou que a França considera o ''controle de armamentos'' indispensável para a Segurança do Oriente Médio e que sua proposta era o retorno incondicional dos inspetores da ONU, que foram expulsos do Iraque em dezembro de 1998.
Diplomático, mas firme o presidente russo disse ''não'' outra vez ao governante americano e ao primeiro-ministro britânico, que lhe pediram apoio nos ataques contra o Iraque planejados por Washington.
Segundo informou o Kremlin, Putin, aliado dos Estados Unidos em sua luta contra o terrorismo internacional, declarou que ''duvidava'' seriamente de que o uso da força se justificasse e avaliou que existiam possibilidades reais de resolver politicamente o problema iraquiano.
O ministro iraquiano das Relações Exteriores, Naji Sabri, expressou ontem sua satisfação com a recusa da Rússia a participar de um eventual ataque americano contra o Iraque.
O governo Bush não afirmou claramente em que data está disposto a se apresentar ao Conselho de Segurança para obter uma nova resolução autorizando o uso da força, caso Bagdá se recuse a respeitar compromissos anteriores.
Bush fará um discurso muito esperado no dia 12 de setembro sobre o Iraque na Assembléia Geral da ONU em Nova York.


