Pondo fim a um impase que ameaçava comprometer uma aliança que é chave para a segurança norte-americana, os Estados Unidos entregaram ontem às autoridades japonesas um militar norte-americano acusado de estupro, permitindo que a polícia o prendesse formalmente.
Prolongadas discussões de autoridades dos EUA sobre se deveriam entregar Timothy Woodland para a polícia japonesa estavam causando atritos entre Tóquio e Washington e enfurecendo a população de Okinawa, onde soldados norte-americanos já cometeram uma série de crimes sexuais nos últimos anos.
Woodland, um sargento de 24 anos, foi preso por suspeita de ter pressionado uma mulher de Okinawa contra um carro e a estuprado na última sexta-feira num estacionamento na frente de uma série de bares. A prisão ocorreu quatro dias depois que a polícia havia conseguido um mandado contra ele.
A polícia de Okinawa assumiu a custódia de Woodland na Base Aérea de Kadena, onde ele estava servindo, horas depois de o embaixador dos EUA no Japão, Howard H. Baker, ter anunciado que Washington havia concordado com a entrega.
‘‘Em nossas discussões com o governo japonês, ficamos satisfeitos de saber que o nosso militar irá receber um tratamento justo e humano’’, disse Baker em Tóquio, após conversar com a ministra de Relações Exteriores Makiko Tanaka.
O governo dos EUA relutava em entregar Woodland devido a preocupações sobre sua defesa legal sob o sistema judicial do Japão, que condena mais de 95% dos suspeitos cujos casos vão a julgamento.
A polícia de Okinawa tentou afastar os temores de que Woodland, que nega as acusações, possa receber um tratamento injusto.
‘‘Prestaremos a máxima atenção aos seus direitos assim como à privacidade da vítima’’, afirmou o detetive-chefe Isamu Inamine após a prisão de Woodland.

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