EUA entregam o Canal do Panamá no fim de 99
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de janeiro de 1999
José Antonio Puertas France Presse 
O canal do Panamá e todas suas instalações militares e civis adjacentes passarão totalmente às mãos panamenhas no ano que está começando, em um processo gradual que deve se completar ao meio-dia de 31 de dezembro e que tanto os Estados Unidos como Panamá esperam concluir em harmonia depois de quase um século de relações tormentosas.
Estados Unidos e seu impetuoso presidente Teddy Roosevelt ajudaram o Panamá a se separar da Colômbia em 1903 - depois que o Congresso colombiano rechaçou os termos de Washington para construir o canal - e desde então os dois parceiros daquela conspiração viveram uma clássica relação de amor e ódio.
O antagonismo e a desconfiança estiveram sempre presentes no processo que conduziu à negociação dos novos tratados do canal, os quais os Estados Unidos aceitaram menos por altruísmo que por temor a sabotagens e pela acumulação de pressões internacionais.
Os tratados Torrijos-Carter, firmados em 1977 na sede da Organização dos Estados Americanos em Washington, incluem um que garanta a neutralidade do canal e outro que fixa os termos para a transferência, até a retirada total dos EUA a 31 de dezembro de 1999.
Atualmente, o administrador do canal e 92% da força de trabalho são panamenhos, e se espera que a maioria dos americanos - especialmente os pilotos - continuem em seus postos depois da transição.
Na realidade, o que falta por transferir são as casas dos funcionários americanos e algumas instalações militares. As duas maiores são a base aérea de Howard e o Forte Clayton, que trocarão de mãos a 30 de novembro de 1999, segundo o calendário oficial de reversão.
No aspecto político, não se esperam problemas para que a transição se efetue no prazo estabelecido.


