EUA e Rússia propõem cessar-fogo
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terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Folhapress 
São Paulo - Os Estados Unidos e a Rússia pediram ontem um cessar-fogo na Síria entre o regime do ditador Bashar Assad e os rebeldes moderados durante a conferência sobre a guerra civil no país, marcada para o dia 22, em Montreux, na Suíça.
A intenção do secretário de Estado americano, John Kerry, e do chanceler russo, Sergei Lavrov, é promover no período de trégua a troca de prisioneiros entre Damasco e os insurgentes, e a criação de um corredor humanitário no país.
"Discutimos hoje (ontem) a possibilidade de tentar encorajar um cessar-fogo, talvez um cessar-fogo começando por Aleppo", disse Kerry, em entrevista coletiva, em referência à Província do norte sírio que faz fronteira com a Turquia.
Já Lavrov afirmou que o regime de Bashar Assad está considerando as propostas feitas por ele, Kerry e o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) à Síria, Lakhdar Brahimi. Os três propõem a continuidade das negociações sobre a transição política no país, paralisadas desde a primeira conferência sobre Síria, em junho de 2012.
Apesar da participação de representantes de diversos países da região e das potências mundiais, o encontro pode terminar em fracasso. O Exército Livre Sírio, principal força moderada, boicotou o evento e defende a continuidade dos combates para derrubar Assad à força.
Por outro lado, aumentou a presença de combatentes radicais islâmicos, como os membros da Frente al-Nusra e do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ambos vinculados à Al-Qaeda. Nas últimas semanas, os dois grupos brigam com os rebeldes moderados pelas diversas áreas em todo o país.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos informou ontem que o Estado Islâmico tomou conta da cidade de Al Bab, na Província de Aleppo, que estava nas mãos de rebeldes moderados.
A mesma cidade foi alvo de bombardeios violentos do regime sírio, que deixaram 50 mortos no fim de semana. Ontem, outras 19 pessoas morreram em ataques do Exército a dois bairros de Homs.
Irã
O chanceler russo e o enviado especial da ONU defenderam a participação do Irã no evento, o que havia sido negado nos últimos meses por Estados Unidos, França, Reino Unido e Arábia Saudita. No entanto, Kerry disse que a República Islâmica é bem-vinda, desde que aceite a proposta da transição política na Síria.
Em relação ao Irã, o secretário de Estado sustentou que Teerã ainda "tem que decidir se apoia a aplicação do comunicado de Genebra", de junho de 2012, que prevê um governo de transição dotado de todos os poderes. Os países ocidentais dizem que o documento significa a saída de Assad, o que é negado por Rússia e China.
Brahimi, que já convidou a Arábia Saudita, mas que não enviou nenhum convite ao Irã, insistiu, por sua vez, na "importância deste país na região, e repetiu que deseja sua participação no encontro". Kerry e Lavrov devem defender a presença de Teerã em encontro com o chanceler francês, Laurent Fabius.


