EUA e Rússia divergem sobre a Otan
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Michael Thurston, 
Uma disputa entre os Estados Unidos e a Rússia sobre a ampliação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ofuscou a reunião de cúpula da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) que começou ontem e termina hoje em Lisboa, com o objetivo de definir os planos de uma nova arquitetura de segurança para o século XXI.
O primeiro-ministro russo, Viktor Chernomyrdin, e o vice-presidente norte-americano, Al Gore, demonstraram divergências enquanto os 54 membros da OSCE ultimavam planos para adaptar a Europa ao pós-guerra fria.
A reunião de cúpula esteve marcada também pela condenação ao presidente bielorrusso, Alexander Lukachenko, por causa de um polêmico referendo em seu país.
Chernomyrdin lamentou que a ampliação da OTAN poderia causar novas divisões na Europa. Mostramos claramente nossa oposição à expansão da Aliança e de suas infra-estruturas militares, disse.
O presidente russo Boris Yeltsin, enviou mensagem à assembléia, indo mais longe ainda: A Europa está à beira de decisões cruciais, disse, referindo-se ao dilema entre uma Europa unida e próspera sem linhas divisórias ou uma paz fria imprevisível.
Não podemos permitir uma nova divisão da Europa, acrescentou na carta, dirigida aos chefes de Estado e de Governo presentes e entregue por Chernomyrdin.
Apesar de tudo, Gore e outros participantes da reunião, embora sem criticar abertamente os comentários russos, assinalaram que a ampliação da OTAN continuaria adiante, sem que isto signifique nenhuma ameaça a Moscou.
A OTAN foi e continuará sendo uma aliança defensiva de estados democráticos, disse o vice-presidente norte-americano aos outros líderes da OSCE. Como tal, não representa por conseguinte nenhum perigo para nenhum outro Estado, disse Gore. A ampliação da OTAN não está na agenda da OSCE.
Moscou vê na reunião, que finalizará hoje, a última oportunidade para implantar sua idéia da segurança européia, em particular para levantar a questão da ampliação militar da OTAN a países da Europa do leste.
Para isto, no presente encontro, o décimo desde a criação da OSCE em 1975, concordou em rever o Tratado sobre as Forças Convencionais na Europa (CFE), firmado pelos 16 membros da OTAN e pelos 14 do antigo Pacto de Varsóvia.


