EUA e Reino Unidos consultarão aliados
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de setembro de 2002
Agência Folha 
Os Estados Unidos e o Reino Unido estão ''totalmente determinados'' a tratar da questão de um possível ataque ao Iraque, mas não vão agir sem consultar seus aliados, afirmou ontem o premiê britânico Tony Blair, ao retornar da reunião com o presidente dos EUA, George W. Bush, em Camp David. A informação é da rede de TV norte-americana CNN.
Blair não deixou claro se os dois países estão preparados para tomar ações militares sozinhos caso não encontrem apoio. ''Estamos totalmente determinados a tratar da questão. Mas queremos tratar disso com o maior apoio internacional possível'', afirmou. ''Acho que as pessoas tem que se perguntar: isso vai acontecer sem nenhuma consulta ou discussão com os aliados? Não é o caso.''
Ontem, as principais autoridades dos EUA disseram haver novas provas de que o ditador do Iraque, Saddam Hussein, está desenvolvendo uma bomba atômica. ''Nós sabemos de um carregamento que estava em um navio que interceptamos'', disse o vice-presidente Dick Cheney. Já a assessora de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, disse à TV CNN que os americanos ''não devem esperar que a fumaça de um revólver se transforme em uma nuvem de cogumelo (formato resultante da explosão de uma bomba atômica)''.
As declarações fazem parte de uma ofensiva diplomática dos EUA para tentar convencer sua população e outros países a apoiarem uma ofensiva para derrubar Saddam. Dos cinco países do Conselho de Segurança da ONU, três se negam a dar o aval a Bush: França, China e Rússia. O Reino Unido apóia a posição dos EUA.
Nesta quinta-feira, Bush irá à ONU pedir apoio internacional para a ofensiva contra o Iraque. E deve dizer que os EUA terão de agir sozinhos sem o apoio do órgão.
Cheney afirmou que uma guerra contra o Iraque ''não será tão dura''. Mas acrescentou que pode ser necessário que as forças americanas permaneçam no Iraque para garantir uma transição pacífica para um novo governo, caso Saddam seja deposto. ''Esse custo seria menor do que um ataque de alguém como Saddam, que possui ou desenvolve armas de destruição em massa, contra os EUA'', disse.
O secretário de Estado americano, Colin Powell, tido como um dos mais moderados da administração Bush, afirmou para a rede de TV Fox News que o governo dos EUA não tem outra opção a não ser considerar um ataque contra o Iraque.
Em Bagdá, o americano Scott Ritter, ex-chefe dos inspetores de armas da ONU, afirmou ao Parlamento iraquiano que seria um ''equívoco histórico'' um ataque contra o Iraque. Ele rejeita as afirmações de que Saddam estaria produzindo armas de destruição em massa. Ritter pediu aos iraquianos que aceitem o retorno dos inspetores de armas ao país.
Powell rebateu as declarações de Ritter dizendo que o governo americano lida ''com fatos, não especulações''. Segundo ele, Ritter não dispõe de informações para dar essas declarações.


