Os presidentes do México, Ernesto Zedillo, e dos Estados Unidos, Bill Clinton, estabeleceram ontem uma estratégia comum contra o narcotráfico que inclui um novo protocolo de extradição e um aumento do pessoal encarregado de combater o flagelo na zona fronteiriça.
A Declaração de Aliança contra as Drogas, firmada por Zedillo e Clinton, que iniciou ontem uma visita oficial ao México, instrui os governos dos dois países a prepararem uma estratégia comum contra o narcotráfico antes do fim do ano.
Os dois presidentes acertaram negociar um novo protocolo do tratado de extradição, para permitir que indivíduos sejam julgados em um dos dois países antes que se cumpra uma sentença pronunciada no outro.
A medida é destinada a evitar que os narcotraficantes fugitivos possam evadir-se da justiça em um dos dois países escapando para o outro.
O México aceitou também, em casos ‘‘excepcionais’’ de natureza ‘‘particularmente odiosa’’, considerar a extradição de cidadãos mexicanos para os Estados Unidos, indica o documento publicado pela Casa Branca.
Em 1996, o México extraditou 14 fugitivos para os Estados Unidos, o dobro dos extraditados do ano anterior. Os Estados Unidos extraditaram 17 pessoas para o México ano passado.
Por outro lado, a estratégia prevê uma reestruturação do pessoal de contato na zona fronteiriça, que inclui agentes do FBI e da DEA.
Essas unidades estão atualmente estabelecidas mas zonas de Tijuana, Ciudad Juárez, e Monterrey/Matamoros, e sua função é recolher informação para liquidar as principais organizações narcotraficantes.
Além da nova estratégia antidrogas, Clinton e Zedillo firmaram uma declaração conjunta sobre imigração, tema que tem envenenado as relações bilaterais durante os últimos meses.
Clinton assegurou a Zedillo que a nova lei de imigração americana será implementada de maneira ‘‘justa e humana’’. E se comprometeu a consultar o Congresso para tentar modificar alguns de seus aspectos.
Protestos e prisõesCentenas de esquerdistas mexicanos que gritavam ‘‘Clinton idiota’’ e queimaram a bandeira dos Estados Unidos em frente à embaixada desse país na capital mexicana enfrentaram, na noite de segunda-feira, a polícia local. O protesto ocorreu do lado de fora da embaixada norte-americana, momentos antes da chegada à Cidade do México do presidente dos EUA, Bill Clinton.
Aos gritos de ‘‘Viva Che Guevara’’, os manifestantes portavam bandeiras cubanas e queimavam a dos Estados Unidos.
A rede de televisão mexicana Televisa informou em seu noticiário 24 Horas que, no total, houve cinco manifestações distintas na capital do país contra a chegada de Clinton, e que 14 pessoas foram presas.
Quando a polícia antimotim, discretamente postada nas proximidades, começou a marchar contra os manifestantes, houve um breve enfrentamento que provocou ferimentos leves em dois jornalistas. Não houve relatos de feridos graves.
Clinton chegou ontem no aeroporto internacional da Cidade do México a bordo do avião presidencial Air Force One.

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