EUA e Israel atacam o Irã, que incendeia a região com mísseis
Ofensiva “de grande envergadura” atinge Teerã; Irã reage com drones e mísseis contra Israel e bases americanas no Oriente Médio
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Ofensiva “de grande envergadura” atinge Teerã; Irã reage com drones e mísseis contra Israel e bases americanas no Oriente Médio
France Presse 

Teerã, Washington e Jerusalém - Após semanas de ameaças, Estados Unidos e Israel lançaram, neste sábado (28), um ataque “de grande envergadura” contra o Irã, onde foram registradas explosões em Teerã e em outras cidades.
Entre os alvos da chamada operação “Fúria Épica” estariam o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, no poder desde 1989, e o presidente Masoud Pezeshkian, segundo a rádio-televisão pública israelense.
“Este regime terrorista não pode nunca ter uma arma atômica”, disse o presidente americano, Donald Trump, ao anunciar o ataque. O republicano apresentou a campanha “maciça” como uma “missão nobre” e admitiu que o seu país poderia sofrer baixas.
O Irã respondeu lançando mísseis e drones contra Israel e promovendo ataques contra bases americanas em vários países da região, afirmou a Guarda Revolucionária.
Correspondentes da AFP reportaram explosões em Jerusalém e em países como Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Arábia Saudita e Bahrein, onde um ataque com mísseis atingiu instalações da Quinta Frota americana.
Os primeiros mortos relatados foram 24 alunos em um ataque israelense que atingiu uma escola no sul do Irã, segundo uma autoridade local.
Por sua vez, o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos anunciou a morte de um civil após a queda de destroços de mísseis em Abu Dhabi.
Fumaça em Teerã
Em Teerã, uma coluna de fumaça foi vista no bairro Pasteur, onde fica a residência do guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e a sede da Presidência.
Testemunhas ouviram pelo menos três explosões na região. Perto da residência de Khamenei havia forte aparato de segurança e ruas bloqueadas, constatou um jornalista da AFP.
Ao mesmo tempo, as comunicações foram afetadas: chamadas telefônicas pararam de funcionar, segundo um jornalista da AFP, e a conexão à internet foi cortada, informou o site especializado NetBlocks.
Em discurso de sua residência em Palm Beach, na Flórida, Donald Trump anunciou ataques de “grande envergadura” para “eliminar ameaças iminentes” atribuídas ao Irã.
Seu aliado, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, afirmou que a operação busca “eliminar a ameaça existencial” que a república islâmica representa.
Fontes de segurança israelenses disseram que a ofensiva responde à “aceleração” da produção de mísseis balísticos pelo Irã e que continuará por “tanto tempo quanto for necessário”.
“Totalmente aniquilada”
“A hora da sua liberdade está ao alcance da mão”, disse Trump aos iranianos, a quem exortou a “tomar o controle” do governo.
“Vamos destruir seus mísseis e arrasar por completo sua indústria de mísseis. Ficará totalmente aniquilada. Vamos aniquilar sua Marinha”, afirmou.
O presidente americano ofereceu aos dirigentes militares do Irã uma “imunidade” caso se rendam, ou “morte certa” se não o fizerem.
Netanyahu ecoou o apelo e disse aos iranianos que chegou o momento de “sacudir o jugo da tirania”.
“Estamos muito perto da vitória final”, afirmou, em mensagem de vídeo divulgada online, Reza Pahlavi, filho do falecido xá do Irã.
“Quero estar ao seu lado o mais rápido possível para que juntos possamos recuperar e reconstruir o Irã”, disse Pahlavi, que vive no exílio nos Estados Unidos e afirmou estar pronto para liderar uma transição política.
O Exército israelense declarou que os ataques atingiram diversas instalações militares e foram resultado de meses de planejamento conjunto com os Estados Unidos.
A TV estatal iraniana informou que o presidente Pezeshkian está “são e salvo”.
A agência de notícias Fars informou que “foram registrados sete impactos de mísseis nos distritos de Keshvardoost e Pasteur”, em Teerã.
“Vi dois mísseis Tomahawk voando horizontalmente”, disse à AFP um trabalhador de escritório, sob condição de anonimato. “A princípio ouvimos um ruído abafado e pensamos que fosse um avião de combate”, acrescentou.
Irã, Israel, Iraque, Síria e Catar fecharam seus espaços aéreos ao tráfego civil, e várias companhias aéreas suspenderam voos para a região.
Em Jerusalém, foram ouvidas explosões após o acionamento das sirenes antiaéreas, e o Exército informou ter identificado “mísseis lançados do Irã contra o Estado de Israel”.
Uma mensagem foi enviada aos celulares da população, orientando que buscassem refúgio.
Negociações e escalada
Irã e Estados Unidos iniciaram nesta semana a terceira rodada de negociações, com mediação de Omã, considerada uma última tentativa de evitar guerra.
Washington quer impedir que o Irã desenvolva armas nucleares — temor das potências ocidentais, negado reiteradamente por Teerã.
Em 19 de fevereiro, Trump deu um ultimato de “10 a 15 dias” para decidir se haveria acordo ou se recorreria à força.
Em janeiro, surgiram novas propostas entre Washington e Teerã, em meio à repressão do governo iraniano a protestos que desafiaram o poder dos aiatolás.
Trump ameaçou intervir para “ajudar” o povo iraniano.
Em junho de 2025, Israel e Irã enfrentaram uma guerra de 12 dias, desencadeada por um ataque israelense contra o alto comando militar iraniano e contra instalações vinculadas ao programa nuclear da república islâmica.
Os Estados Unidos se somaram à operação militar de seu aliado, atacando três instalações nucleares iranianas.


