O jornal New York Times informou ontem que os Estados Unidos e a China trocaram os rascunhos de uma carta que será enviada de Washinton a Pequim expressando ‘‘pesar’’ pelo choque de seus respectivos aviões no domingo passado sobre o Mar da China Meridional.
O jornal informa que, com esta carta, se dará início a uma investigação por parte das forças armadas chinesa e americana.
Nesse documento também se precisará de que maneira se procederá para a liberação dos 24 tripulantes do avião espião americano que se viu obrigado a aterrissar na ilha de Hainan depois de se chocar com um caça chinês em pleno vôo.
A carta será firmada, segundo o jornal, por Joseph Prueher, atual embaixador dos Estados Unidos em Pequim, e não pelo presidente de George W. Bush, acrescenta o Times.
Este cotidiano assinala igualmente que a carta estabelecerá encontros anuais entre funcionários chineses e americanos para discutir a forma de minimizar as tensões no Pacífico, assim como uma cláusula autorizando encontros de emergência entre oficiais com o objetivo de fazer consultas sobre materiais específicos ou relacionados com as atividades no mar de suas respectivas forças aéreas e marítimas.
Por outro lado, diplomatas dos Estados Unidos esperavam ontem por um terceiro encontro com os 24 membros da tripulação de seu avião espião, retidos há quase uma semana na China, enquanto que o vice-primeiro-ministro chinês Qian Qichen exigia novamente desculpas formais de Washington.
Um porta-voz da delegação americana em Haiku, Mark Canning, declarou que as autoridades chinesas comunicaram que irão entrar em contato para comunicar sobre um terceiro encontro, mas até as 15h00 de sábado (4 horas de Brasília), em Pequim, tal comunicação não havia sido feita.
Por sua parte, o vice-primeiro-ministro Qian Qichen ergueu o tom de voz ontem, classificando de ‘‘inaceitável’’ a reação americana depois do choque entre o avião espião americano e o caça chinês, e exigiu de novo desculpas formais por parte de Washington.
‘‘A declaração até agora por parte dos Estados Unidos sobre este incidente é inaceitável para a China, e o povo chinês a acha insatisfatória’’, indicou Qian, em carta enviada ao departamento de Estado americano.
A carta de Qian, que efetua atualmente uma viagem pela América Latina junto com o presidente Jiang Zemin, foi transmitida ao secretário de Estado adjunto Richard Armitage por intermédio de Yang Jiechi, embaixador da China em Washington.
Qian também pediu que Washington dê explicações ao povo chinês e inicie consultas bilaterais para ‘‘evitar que se repitam no futuro incidentes deste tipo’’.

mockup