EUA e China firmam acordo nuclear
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terça-feira, 28 de outubro de 1997
AE-Reuters 
France PresseProtesto em WillimsburgA visita do presidente chinês aos EUA está provocando a maior onda de protestos contra Pequim, desde o massacre da Praça da Paz Celestial, em 89O presidente Bill Clinton e seu colega chinês, Jiang Zemin, devem concluir hoje um acordo que permitirá a retomada das vendas de tecnologia nuclear americana à China, informaram vários responsáveis do setor. No entanto, segundo eles, o primeiro material nuclear vendido ao governo chinês só deverá ser entregue em dois anos.
A venda de reatores e a transferência real do material não será feita antes de 1999, previu o vice-presidente do Instituto de Energia Nuclear, Martin Fertel.
Clinton e Jiang têm hoje uma reunião oficial na Casa Branca - ponto central da visita de uma semana do líder chinês ao país. Durante o encontro, os dois chefes de Estado devem falar sobre comércio, direitos humanos, Taiwan, Tibete e a proliferação de armas nucleares.
Em sua edição de sábado, o jornal The Washington Post, citando funcionários americanos, anunciou a conclusão de um acordo prevendo que Pequim limitaria sua cooperação nuclear com o Irã e Paquistão, bem como a venda de armas, especialmente mísseis balísticos.
De acordo com as leis americanas, o presidente deve certificar ao Congresso que a China não está envolvida com a proliferação de armas nucleares antes de que possa ser levantada a proibição imposta há 12 anos a empresas dos EUA de vender ao país tecnologia de energia nuclear avançada.
Pelo menos uma dezena de senadores americanos (entre eles, Jesse Helms, presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado) demonstrou sua preocupação, na segunda-feira, com a assinatura do acordo, em carta enviada a Clinton.
France PresseBerço democráticoOntem Jiang visitou a cidade colonial de Qillimsburg, na Virgínia, um dos berços da democracia americana
Era esperada para ontem à noite a chegada de Jiang a Washington, onde segundo fontes presidenciais, o presidente chinês deveria manter um encontro informal com Clinton de cerca de uma hora, na Casa Branca. O convite teria sido feito pelo presidente americano na esperança de que um toque pessoal pudesse aproximar as diferentes visões políticas entre os dois dirigentes.
Do lado de fora da Casa Branca, seguidores de um grupo chamado Projeto de Democracia eram dispersados pelos seguranças do Parque Lafayette, onde se concentravam para protestar contra a visita de Jiang ao país. Existe uma espantosa multidão de opositores, disse o porta-voz do grupo, William Schroeder.
A China sempre teve seus inimigos nos EUA, desde dissidentes exilados a defensores dos direitos humanos, mas nada igual à agitação provocada pela visita de Jiang foi visto desde o massacre ao movimento estudantil pró-democracia na Praça da Paz Celestial, em 1989, em Pequim.
Jiang chegou em território americano no domingo, iniciando sua visita com uma escala em Honolulu, no Havaí. Ontem, ele visitou a colonial Willimsburg, na Virgínia, um dos berços da democracia americana. O presidente chinês deve ficar nos EUA até domingo.


