EUA e aliados já deixam a Indonésia
Saques e a repressão policial já deixaram mais de 200 mortos na Indonesia. Bancos fecham e Suharto tenta resistir
Dow Jones
e Reuters

France Presse
Dias contadosSuharto determinou repressão aos saqueadores e negou renúnciaOs saques na Indonésia tiveram um desfecho trágico ontem quando os manifestantes atearam fogo em shopping centers em Jacarta, matando pelo menos 200 pessoas. O presidente Suharto ordenou a ação do Exército contra os saqueadores. Diante do agravamento da crise, países como os EUA e o Japão estão orientando seus cidadão a deixarem a Indonésia. Os EUA começaram a retirada dos norte-americanos de Jacarta ontem com dois vôos fretados.
Bancos como o holandês ABN Amro, o Deutsche e o BankAmérica fecharam suas agências na Indonésia para proteger funcionários e clientes, seguindo os passos dados anteontem pelo Citicorp. ‘‘As transações financeiras são impossíveis agora’’, disse Tanno Massar, porta-voz do ABN Amro. As negociações no mercado de câmbio foram paradas pelo segundo dia pelo BC indonésio. A turbulência indonésia reforçou a fuga dos investidores da região. A Bolsa de Seul caiu 2,79%, Hong Kong recuou 0,55% e Tóquio fechou em queda de 0,42%.
O presidente Bill Clinton deu claros sinais ontem na Inglaterra de que nada fará para prolongar a ditadura do presidente Suharto, o mais antigo aliado dos Estados Unidos na Ásia, e apoiará uma transição para um regime democrático, que a Indonésia nunca teve.
Os distúrbios tiveram intensa repercussão em todo o mundo. Estados Unidos, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha estão providenciando a retirada de funcionários de suas embaixadas. A mesma providência está sendo adotada por multinacionais, principalmente japonesas.
Os EUA fretaram vários aviões para transportar os americanos residentes em Jacarta. Austrália, Tailândia e Cingapura recomendaram a seus cidadadãos que evitem a Indonésia. Muitas agências de turismo, principalmente japonesas, cancelaram viagens.
O governo de Taiwan montou um esquema para retirar do país milhares de chineses - minoria perseguida pelos manifestantes indonésios. A China, através de Hong Kong, também está preparando ‘‘missões de resgate’’. A Rússia, por sua vez, informou que não tem, pelo menos por enquanto, nenhum plano para retirada do pessoal de sua embaixada em Jacarta.
A Anistia Internacional pediu mais empenho às grandes potências para forçar o regime de Suharto a ‘‘pôr fim às violações dos direitos humanos no arquipélago’’.
O governo britânico ‘‘deplorou os trágicos acontecimentos de Jacarta’’, mas advertiu a comunidade internacional para os perigos de uma interferência nos assuntos internos da Indonésia.
No âmbito interno, Suharto negou que pretenda renunciar, conforme informou o jornal ‘‘Jakarta Post’’. Mas há insistentes rumores de que ele começa a enfrentar oposição dentro de seu próprio partido, o Golkar, que ele controla com mão de ferro há mais de três décadas. A ala jovem da agremiação estaria exigindo que ele se demita imediatamente.

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