São Paulo - Os Estados Unidos não responderão à carta enviada na segunda-feira pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao líder americano George W. Bush, anunciou ontem a Casa Branca.
  Na carta – rejeitada pelos EUA por ‘‘não resolver a preocupação internacional sobre a segurança’’, gerada pelas atividades nucleares do Ir㠖 Ahmadinejad faz duras críticas aos EUA e diz que a democracia nos moldes ocidentais ‘‘falhou’’.
  A carta foi a primeira comunicação direta entre um líder iraniano e um presidente americano desde 1979. Na época, os dois países cortaram relações diplomáticas depois que extremistas iranianos invadiram a embaixada americana, mantendo reféns no local por mais de um ano.
  Autoridades dos EUA afirmam que a intenção da carta foi prejudicar as conversas entre representantes dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China a respeito das ambições nucleares iranianas.
  O líder do Irã questiona por que ‘‘avanços científicos no Oriente Médio’’ são interpretados como ‘‘ameaças’’ para o regime sionista.
  Ahmadinejad – que já afirmou que Israel deveria ser ‘‘varrido do mapa’’– também levanta questões como o Holocausto e a base da criação de Israel e diz que o ‘‘regime’’ instituído pelos Estados Unidos está em ‘‘desacordo’’ com os valores cristãos.
  O líder do Irã qualifica os atentados de 11 de Setembro como um ‘‘incidente horrível’’ que matou pessoas inocentes, o que é ‘‘deplorável’’. No entanto, em seguida, questiona: ‘‘Por que vários aspectos dos ataques foram mantidos em segredo?’’.
  Ahmadinejad também fala sobre a Guerra no Iraque. ‘‘É claro que Saddam Hussein é um ditador assassino’’, escreve. ‘‘Mas a guerra não foi feita para derrubá-lo, mas para encontrar e destruir as armas de destruição de massa’’, afirmou.
  O presidente iraniano faz ainda um ‘‘convite’’ a Bush para que ele passe a governar os Estados Unidos de acordo com os valores cristãos. Citando passagens do Alcorão, Ahmadinejad defende o retorno de um governo de base religiosa.
  ‘‘Por que você não aceita esse convite?’’ questiona ele a Bush. ‘‘Ou seja, o retorno genuíno dos ensinamentos dos profetas, do monoteísmo e da justiça, para preservar a dignidade humana e a obediência aos profetas?’’.

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